sábado, 2 de fevereiro de 2008

O país dos fortes

Um homem encontra uma pequena fortuna junto a corpos de criminosos. Começa a ser perseguido por um assassino obstinado em conseguir atingir a sua meta, que vai muito além de recuperar o dinheiro. Para impedi-lo, apenas um xerife interiorano e em fim de carreira. Podemos estar em qualquer época da História, mas, com certeza, estamos nos EUA.

A premissa básica do novo filme dos Coen ("No country for old man") parece simples. O desenrolar, entretanto, é surpreendente. Não porque situações inusitadas acontecerão, mas porque o significado dos símbolos exibidos tornam o filme muito maior que um faroeste deslocado de seu tempo.

Os personagens são atemporais exatamente porque no cerne americano mora este tipo de caubói, que quer resolver as diferenças com as próprias mãos. É o homem que foi para o Oeste idílico à procura de ouro, petróleo (tema do filme de PT Anderson: "There will be blood"), ou terra para começar uma nova vida.

Enquanto no Leste, os EUA eram formados seguindo uma lógica européia, tanto no Norte industrializado quanto no Sul escravista, o Oeste foi conquistado matando índios, expulsando os mexicanos, guerreando com espanhóis.

Homens como Anton Chigurh (um Javier Bardem numa atuação histórica) foram importantes e, às vezes, necessários como capangas de magnatas que queriam comprar, explorar, destruir terras. Enquanto que sujeitos comuns, que têm o seu trailer ou rancho, vão para o exército, caçam nos fins de semana, se casam com a namorado do colégio, como Llewelyn Moss (Josh Brolin), aparecem para reclamar da invasão de sua propriedade, da oportunidade perdida, a possibilidade de um sentido para a vida.

Senão por todos estes motivos, "Onde os fracos não têm vez" ficará eternizado pela dupla Tommy Lee Jones, como o xerife Ed Tom Bell, e Bardem. Se o primeiro consegue criar um experiente policial assustado com a violência, fragilizado pelo desconhecido que pode matá-lo a qualquer momento, Bardem institui um personagem único. Para entrar para a galeria dos melhores vilões de todos os tempos. Ao lado de Hannibal Lecter.

***

A cena em que Chigurh explode um carro para entrar na farmácia e roubar medicamentos é, simplesmente, antológica.

2 comentários:

Alberto Kawai disse...

Bom, acho que seria razoável pedir autorização... será que poderia colocar seu blog na lista de links do meu? É que achei muitas coisas interessantes aqui...

Ronaldo disse...

Fique à vontade. abraços