sábado, 16 de abril de 2011

O novo e o bom

Qual é a importância do novo? A necessidade de se atualizar sobre o que acontece? Não existe respostas conclusivas para essas perguntas. As que me ocorrem agora esbarram em questões práticas em excesso [possibilidade de conseguir um trabalho] ou abstratas demais [ter consciência sobre o seu entorno]. Por outro lado, por que se manter preso ao passado renegando toda e qualquer novidade? Por que cultuar a nostalgia, por que imaginar que o passado era, de alguma forma, melhor que o presente? Também não vejo respostas que fujam de uma afirmação moldada exatamente pelo tempo [porque o que passou já está assentado na tradição] ou simplesmente por uma preguiça ou medo de se expor ao erro, ao ter contato com o que é diferente do antigo.

Por outro lado, o novo é realmente diferente do antigo? Essa afirmação me traz dois raciocínios à cabeça. O primeiro é a declaração de Borges, lembrando que não há o "original" por não haver a "origem", assim como não há o "definitivo", por também não existir "fim". Por outro lado, imagino uma proposta por demais positivista, em que há uma espécie de "evolução" da humanidade, e o que vem à frente sempre seria melhor que o passado.

Ficamos muito mal acostumados, após as vanguardas dos século xx, que por suas vezes, eram desdobramentos iniciados desde o movimento dito Moderno, em que deveríamos fazer algo completamente diferente do que vinha antes. O bom seria aquilo que negasse o passado e inaugurasse um novo tempo. Mesmo que em intenção, já que, como disse acima, não acredito que haja essa ruptura e o nascimento de um período completamente novo. Portanto, seguindo esse raciocínio, o bom era o novo, o diferente, aquilo que poderia ser visto como o oposto do que se estava fazendo. Daí a negação ao passado e a valorização do próximo, do que vinha por aí.

Tudo o que falei agora são platitudes. Estou só confabulando sobre o que seria a produção narrativa, nos dias de hoje. E quando eu digo "narrativa" me refiro a qualquer produção de caráter diferente da ciência dura.  Vivemos de mitologia em mitologia, na nossa ficcionalização cotidiana do real.

Claro que o texto nasceu - e matutou na minha cabeça - após ter visto os vídeos em que Alcir Pécora e Beatriz Resende conversam com Paulo Roberto Pires sobre a ficção contemporânea. Muito do resumidamente, Pécora diz que não gosta de nada do que é feito atualmente e fala que há um excesso de compadrinhamento entre os escritores. A declaração, claro, repercutiu, aqui e ali e acolá. Pécora, um homem extremamente erudito que deu muito trabalho para os historiadores ao comentar os sermões de Padre Antônio Vieira, afirma que a literatura, e a arte como consequência, deve ser sempre definitiva, ou seja, extrema, mortífera, hecatombesca, enfim, arrasadora. Ou não é arte.

Antes de pensar em uma definição razoavelmente romântica, portanto, extremamente moderna e filha de nosso tempo, fico imaginando a seguinte situação: um fulano escreve despretensiosamente um texto. O texto cresce e se transforma em livro. O livro ganha asas sozinho e é reconhecido. O reconhecimento aumenta e ele é aclamado, é entronado como gênio. Isso estaria no contexto de Pécora como arte? A intenção é importante? Quem tem o direito de dizer o que é a genialidade ou a bovinice da humanidade? Os críticos? O tempo, a tradição, o cânone? O mercado? Estamos certo disso? Quem são ou o que são os críticos? Quem garante que a História tem as respostas para tudo? E se o resultado desse hipotético fulano não for a consagração, mas o sucesso de vendas? Ele é pior artista por isso? E, ainda, se ele não tiver nem vendagem nem for reconhecido pela crítica, o que muda? Quem garante que ele é realmente ruim?

Isso aqui não é uma opinião sobre nada. É uma amontoado de dúvidas, que se acumulam e se reproduzem. A única certeza de que tenho é tão abstrata quanto as minhas primeiras declarações. Para se ter contato com essas narrativas, deve-se, primeiro, fazer de tudo para se escutar a própria voz interna. E isso, claro, não é algo que se ensina em escolas, de qualquer grau.

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