segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Vetamos o protesto espontâneo

Central do Brasil dominada [Foto: Genilson Araújo]
Alguma coisa me soa bastante estranha nesse protesto "Veta, Dilma", e nem é o correto uso cada vez mais incomum da vírgula. Não, eu não sei opinar nada sobre essa questão da distribuição dos royalties, não compreendo absolutamente nada disso, não entendi bulhufas do que eu li, e todas as reportagens que eu tive acesso pareciam querer favorecer apenas um lado, o Rio de Janeiro. Portanto não consegui ter uma visão razoavelmente equilibrada sobre esse assunto. Mas o protesto, bem, o protesto tem algo de podre em si.

Fui tomado de surpresa quando na volta à cidade há uma semana, encontrei diversos galhardetes e cartazes espalhados pela cidade anunciando para hoje essa concentração na Cinelândia. Principalmente quando eu vi uma faixa imensa pendurada no prédio da Prefeitura do Rio de Janeiro. Fiquei um tempo sem acreditar. Primeiro imaginei que aquele não era o escritório oficial do prefeito. Depois, que eu estava vendo coisas. Quando percebi que não era uma coisa nem outra, fiquei incomodado.

É lícito o governador convocar a população para um ato em favor dos seus interesses, e argumentando que é algo em prol de toda a população. É legal o prefeito apoiar essa iniciativa. Jogo jogado. Mas, por princípios, acho estranhíssima essa convocação para um "protesto oficial". Não consigo achar normal um "manifestamento" a favor do governo. Além disso, fico confuso quando penso que o governador e o prefeito gostam tanto de apregoar que têm uma relação ótima com a presidenta, mas precisam fazer esse tipo de jogada. Por que, então, arriscar esse capital com essa manobra política?

Se isso não fosse o suficiente para me deixar inquieto, vejo as informações sobre as facilidades providas pelo excelentíssimo senhor governador para tentar encher a praça:

- Trechos de duas das principais avenidas do Centro do Rio, a Presidente Vargas e a Rio Branco, serão interditados;

- A SuperVia, metrô e barcas terão esquema de gratuidades das 13h às 15h para manifestantes que seguirem no sentido Centro. O passageiro não precisará pagar das 20h e 22h na volta;

- Sérgio Cabral e Eduardo Paes decretaram ponto facultativo nas repartições estaduais e municipais a partir das 14h.

Se isso não é usar do poder público em prol do bem privado, mesmo que disfarçado de público, eu não me chamo Sérgio Pédea Paes.

Vi uma dessas artes-de-facebook que compara essa manifestação oficial com as feitas por professores para reivindicar melhorias trabalhistas e demonstrando como há uma diferença da maneira como o processo acontece. Difícil comparativo.

Se isso tudo ainda não fosse o suficiente para eu ficar, no mínimo, constrangido, eu ficaria com a informação - não dos 11 shows que estão programados, nem do fato de terem roubado o slogan de outra manifestação razoavelmente parecida -, mas da presença e apoio da Xuxa ao evento. Não se pode ficar do mesmo lado da rainha dos baixinhos impunemente. 

Espero, realmente, que a manifestação seja um fracasso. E que a Dilma faça o que for melhor para o Rio e para o país.

2 comentários:

Anônimo disse...

O protesto defende interesses do estado e de toda a população.

Ronaldo Pelli disse...

Pode até ser, não duvido. Como disse, sou um ignorante sobre o assunto petróleo e royalties. Mas reafirmo que o protesto em si é uma lástima.