terça-feira, 9 de agosto de 2016

#CHINAnews: Fazer noodles

Fui uma única vez ao Mr. Lam e uma única vez ao finado Primeira Pá. Minha experiência com culinária chinesa se resumia quase em sua totalidade ao período londrino. Mas lembro-me bem do mise-en-scène do chef do Mr. Lam ao fazer o noodles do restaurante.
Era um evento. Todo mundo parava de comer o que quer que fosse e via o sujeito jogar a massa para lá e para cá, balançar, espremer, amassar, socar, sovar, rodar, embolar, desembolar, embolar novamente e, como num passe de mágica, zás, já estava pronto os fiozinhos finos de massa que seriam em seguida cozida e servir de base para muitos pratos do restaurante. Mais ou menos como faz esse cara aí:
https://www.youtube.com/watch?v=IxdGYoAQVZU
Só que bem mais espetaculoso. Era um evento, além do próprio evento de jantar ali. Ninguém era servido, ninguém se levantava. A luz focava no moço do centro. Era um show até um pouco meio over, bem a cara do Eike Batista, o sujeito que literalmente encoleirou sua então mulher e que tinha um carro de luxo na sala de estar.
Eis que estava agora numa praça de alimentação bem gente-como-a-gente e decido comer macarrão, já que não tinha ainda provado da comida que Marco Polo, diz a lenda, trouxe das mãos de Kublan Khan para a Itália e o Ocidente [olha, é só lenda mesmo, tá? Parece que o macarrão já existia na Europa há muito mais tempo.].
Chego lá e o camarada tá fazendo macarrão com a maior sem cerimônia que existe, da mesma maneira que o fulano cheio de estrela do Mr. Lam. Ele jogava para lá e para cá, mas era tão sem se importar com o que rolava, tão cotidiano, que eu imaginei que era quase um desperdício ele só fazer isso. Poderia fritar os bolinhos também, ora.
Às vezes, é bom saber, o espetáculo é apenas um truque de mágico.

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