Palavras sem sentido
[...] Diz ela
e o silêncio quebra novamente: a noite invade pela janela e nos pressiona,
torna a gravidade mais grave... grávida. Eu... eu nunca... Imaginei... Eu... [balbucio
abobado]... as palavras escorregam, como gelatina, eu tento prendê-las nos
dentes, mas elas escorregam, moles, e saem sem sentido, ma... qu... co... as...
po... im... m... h... fi... As palavras perdem o seu sentido, perdem o seu
sentido. Para que lado devem ir, quando a bússola não fala onde é o norte, como
descobri-lo? Perde-se, se perdem numa floresta cheia de árvores com letras
penduradas, e você, com um carrinho de supermercado vai colhendo e colocando
dentro do carrinho, ou você está num ambiente branco, todo branco, sem
dimensões: onde é a profundidade, onde é o chão, até onde vai o horizonte?
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