Mostrando postagens com marcador Bertrand Russel. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Bertrand Russel. Mostrar todas as postagens

sábado, 14 de agosto de 2010

Filosofia parcial

Desde que li em um desses três livros que a Hedras publicou com diálogos de Borges que o escritor argentino tinha um livro preferido, comecei a correr atrás dele. [Ou será que estou inventando essa informação? Mas o que importa a verdade, nesse caso? O fato é que, fiquei atrás de um livro que foi citado por Borges.]

O livro, ou melhor, os livros, porque são quatro tomos, são "A história da filosofia ocidental", de Bertrand Russel. Consegui comprá-los num sebo em Botafogo, por um preço que, aparentemente, se mostrou uma pechincha.

Bem à maneira borgeana, "A história..." é uma espécie de enciclopédia que, por mais de 400 páginas, passeia na história do pensamento do lado de cá do planeta. Só que, também à maneira de Borges, o autor, um dos principais filósofos da virada do século xix para o xx, antecessor de Wittgenstein, é um escritor que coloca bastante de suas convicções no texto. A primeira pessoa, diferentemente de um tratado de história tradicional, aparece sem problemas em vários momentos. Comparações esdrúxulas e encontros improbabilíssimos acontecem comumente.

Como por exemplo no verbete sobre Nietzsche, de quem Russel tem sérias e profundas desavenças. Para demonstrar a [a seu ver] completa insensibilidade do filósofo alemão para com o ser humano, ele imagina um embate entre Nietzsche e Buda (!) diante de Deus (!!), com direito a um diálogo (!!!).

Independentemente do resultado ou da ideologia envolvida, o texto é bom e a quantidade de conhecimento distribuída, imensa. No fundo é melhor ser claro sobre suas crenças que falseá-las debaixo de uma pretensa e mentirosa imparcialidade.

No fundo, Russel estava apenas confirmando a tese borgeana, de maneira inversa, de que a metafísica é apenas um dos ramos da literatura fantástica. No caso de Russel, toda a filosofia é apenas uma das formas da literatura. E vice-versa: toda a literatura é uma das formas da filosofia.