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quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

MPB eletrônica

Não, não é a versão em DB de "Só tinha de ser com você", da Fernanda Porto com o Patife, que lançou há cerca de uma década [!] o que um amigo chamou bem apropriadamente de "tuntitutização" da MPB.

É chegada a vez dos medalhões da música que um dia foi popular no Brasil de se embrenharem pelo barulhinhos, pelos ruídos, pela estranheza da eletrônica. O resultado é irregular, como sói acontecer quando artistas de diferentes grandezas optam por caminhos igualmente diversos na abordagem de elementos igualmente exóticos nas suas paradas. Separei alguns exemplos que me ocorreram.




Sejamos justos. Essa onda não é de agora. Chico Buarque já tinha no seu disco "Carioca" feito uma "Ode aos ratos", que, por sua vez, era ainda anterior, da trilha sonora do "Cambaio", aquela peça de 2001 [ui!] que o Chico fez as músicas junto com o Edu Lobo. É um rap, mas não muito tradicional - ainda bem. Como se ele tivesse misturado com outros elementos, principalmente do nosso repertório nordestino, como embolada. Eu, particularmente, acho que é a melhor música do século XXI de Chico.




Nunca fui fã-fã, mesmo, de Gal Costa, e havia passado batido desse novo CD dela, cujas músicas foram escritas todas pelo Caetano. De cara, essa música dá um estranhamento, mas é um estranhamento que chama para dentro da música, e faz você prestar mais atenção. A voz de Gal é plácida, flutua acima das estranhezas, das camadas da música, que é uma colagem de barulhinhos, sem uma instrumentalização óbvia.



Caetano Veloso, que desde o seu experimentalíssimo "Araçá azul" mexe com eletrônica, foi ao baile nesse "funk melódico". É um batidão, mas com uma intensidade diminuída. Como um Sany Pitbull pós-spa [a contradição é proposital]. Mas que cabe bem na proposta de Caetano, que apenas "veste" essa roupa, como ele faz com qualquer outro ritmo. Ele não se prende a nada, não se amarra em nada.



Por fim, chegamos ao rei. Roberto Carlos não poderia deixar passar a onda incólume, sem adentrar. Já tinha sinalizado com a participação do [qual era mesmo o nome dele?] MC Leozinho em um dos seus [nada] especiais de fim de ano. Agora, repete a dose com uma música autoral, que poderia ser cantada por Leozinho, Marcinho, ou Buchecha. Esse pessoal que, como Bob Charles, não incomoda ninguém.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Duas horas em 'Uma noite em 67'

Há três aspectos que me chamaram a atenção no documentário "Uma noite em 67", do Renato Terra e do Ricardo Calil. Primeiro e mais óbvio, o humor. É um filme leve, gostoso de se ver, mas sem ser pueril. O que foi também surpresa para os diretores mesmo, segundo contaram.

O segundo é a qualidade dessa geração. Incrível ter em um mesmo palco Caetano, Gil, Chico, Edu - só para ficar nos que foram mostrados. Mas não parece um doc saudosista. O Calil comentou o aspecto:

A gente nunca quis fazer um filme saudosista. Não queria colocar ninguém dizendo que 1967 foi o melhor ano da música brasileira, e não se repete mais. Se as pessoas quiserem chegar às conclusões dela, que cheguem por elas mesmas, não tem ninguém falando isso para elas. A gente acha que tem música boa, tem uma geração muito boa. Hoje em dia não tem uma televisão dando o seu horário nobre todos os dias da semana para a música brasileira de qualidade. E dando uma vitrine para uma geração privilegiada. A gente tem uma geração muito boa hoje, que não tem uma vitrine tão ampla quanto aquela.

E também a forma como mostrou a cara desses artistas muito conhecidos. Dessa vez foi o Renato:
Nos depoimentos e nas imagens de arquivo, eles revelam muito como artistas. Caetano é aquele cara mais intelectual, mais cerebral, que está pensando em coisas que vão além da música, o tempo todo. O Chico é um cara brincalhão e que tem uma obra musical densa, relevantíssima. O Gil, que já é um cara mais sensível ao seu tempo, à sua vida. E o Edu, que é o 'músico-músico', que se dedica à música. O filme consegue dar a dimensão de quem é cada um.