sexta-feira, 12 de junho de 2009
Ainda o Frederico
Partindo de um conceito do Tio Schop (daí o termo "vontade", original do famoso "o mundo como vontade e representação"), Frederico diz que vivemos sempre em uma conflito de forças, poderes, potências, em que há uma hierarquia, i.e., um(a) é mais forte que outro(a).
Ele diz que isso, esse conflito, é salutar para a produção da arte. Cool.
Estar em equilíbrio, portanto, segundo a minha conclusão própria, é uma espécie de utopia. Porém custa nada continuar tentando. Mas Fred sugere que quem se acostuma com as molezinhas, com as faltas de dificuldades, não produz nada.
Por isso, de tempos em tempos, é necessário dar uma sacodidela, levantar a poeira, e dar a volta por cima. É o que fiz. procurei o desconforto, para me acostumar a novas situações.
sexta-feira, 10 de abril de 2009
Transposição
Primeiro porque a peça me mostrou outro Mersault (o protagonista). Lido numa época bem triste na minha vida, ele me refletia nas palavras. Era um sujeito deprimido, que nada o tiraria da inércia. Era anódino, anestesiado com o mundo. Meu gosto foi por sentir que havia outro de mim no mundo, sentir que havia um igual, que não estava sozinho e que outra pessoa já tinha passado pelo que eu passava – e sobrevivera para contar.
Já o do Guilherme Leme é um homem que a expressão “tanto faz” recorre como uma vírgula. Ele percebe a falta de propósito de todas as coisas que o cercam e decide ser feliz com as pequenas coisas, tendo consciência das parcas escolhas que pode ter.
A famosa primeira frase: “Não sei se a minha mãe morreu hoje, ou ontem”, para mim, ao lê-la, era dita aos sussurros, sem força como por um sonâmbulo. Na peça, Guilherme Leme diz rápido, alto, para mostrar que isso não importa. Qual é a diferença de ela ter morrido hoje ou ontem?
Na versão do teatro, Mersault é exatamente o “homem revoltado” que Camus exemplificou no seu ensaio “Mito de Sísifo”. O homem que, diante das agruras diárias, de todo o sofrimento cotidiano, não se desespera e se suicida (o único problema filosófico para Camus). Ele não se faz de coitado e admite a parcela de responsabilidade por aquilo que ele se tornou.
Para mim, era um homem que acumulava angústias e explodiu um dia, sem saber muito bem por quê. Para a peça, é um homem que matou outro por causa do sol, do calor, do amigo. Tanto faz.
Portanto acertei quando profetizei que a peça não se aproximaria da minha imaginação, já que ela apontou outros caminhos e interpretações para o mesmo texto, até mais próximos, provavelmente, do original pensado por Camus. E não, não foi uma péssima ideia.
domingo, 13 de janeiro de 2008
quarta-feira, 25 de julho de 2007
Metafísica
- Eu sou ateu.
- Hein?
- Eu não acredito em deus.
- Mas, então, pelo amor do diabo!
- Essa sua frase não faz sentido.
- Moço, me dá um dinheirinho, to com fome!
- Por que eu deveria te dar dinheiro?
- Porque to com fome!
- Mas eu também to com fome. Logo, eu devo dar dinheiro para mim.
- Mas você tem que dar dinheiro para mim, você é rico!
- Enganou-se. Não sou rico. Nem tenho dinheiro. Tenho cartão de crédito. Aceita?
- Me dá um dinheiro... To com fome... PelamordiDeus!
- Olha, você tá exigindo de mais. Além de querer que eu acredite em deus, quer que eu o veja como um ser dotado de amor... Não dá...
- Moço, deixa pra lá. Vou pedir para outra pessoa.
- Tá bom. Passar bem.
- Passar bem? O que você quer dizer com isso?