segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

desencontráreis

   Mandei a palavra rimar,  ela não me obedeceu.      Falou em mar, em céu, em rosa,  em grego, em silêncio, em prosa.       Parecia fora de si,  a sílaba silenciosa.     Mandei a frase sonhar,  e ela se foi num labirinto.      Fazer poesia, eu sinto, apenas isso.  Dar ordens a um exército,        para conquistar um império extinto. - Paulo Leminski

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Deus gramática

This centre, in controlling the structure, in making it cohere, must both be part of the structure and lie outside it. A structure, therefore, is “contradictorily coherent” and relies on an “invariable presence” to determine its existence. That presence, Derrida argued, has been given many different names throughout history – essence, being, transcendentality, consciousness, God, man and so on – but all have relied on this idea of there being something unchanging beneath it all. While structuralism (and, indeed, analytic philosophy) was able to function without God, it retained a fundamental belief in this “invariable presence”, call it what they will. To quote Nietzsche, “I am afraid we are not rid of God because we still have faith in grammar.”

From here:
https://newhumanist.org.uk/articles/5143/derrida-vs-the-rationalists

domingo, 18 de dezembro de 2016

Dataism

Na famosa entrevista para "Der Spiegel", Heidegger reforça um argumento seu, já então bastante batido, de que a filosofia, como ele a entendia, teria chegado ao seu fim [em ambos os sentidos: de término e de atingir o objetivo] e que não daria mais conta das questões contemporâneas. Ele elenca como esse modo de pensamento teria se dividido em vários outros, como a Psicologia, a Lógica, a Politologia. É o desespero dos entrevistadores que queriam uma resposta, no mínimo semi-pronta, para questões contemporâneas. "E quem ocupa agora o posto da Filosofia?", eles perguntam, tentando tirar algo mais substancioso: "A Cibernética", responde Heidegger. Estávamos em 1966.

Essa resposta está dentro de um grande pensamento heideggeriano sobre o que ele, no segundo momento da sua produção intelectual, chamou de Técnica [Technik, no original], que vai além das coisas técnicas. [Aliás, uma curiosidade: cibernética vem do grego kybernetiké, que pode ser traduzido por "Arte [techné] de pilotar".]

Técnica, para Heidegger, não era o conjunto de objetos técnicos, de gadgets, de aparelhinhos que compramos no Natal para dar de presente para o sobrinho, nem mesmo a habilidade que aperfeiçoamos em determinado métier, como futebol, violino, dirigir, ou cirurgia do coração. Seria um sistema que organiza todas as nossas formas de agir, de raciocinar, de, enfim, ser, que teria se tornado hegemônico em todas as sociedades ocidentais contemporâneas - mesmo aquelas que não ficam no ocidente geográfico.

Esse sistema consiste em mostrar como todas as coisas foram transformadas em apenas elementos que são requisitados pelo próprio sistema com o único fim de manter a máquina do mundo funcionando, no menor custo, tempo e esforço e com a maior produtividade. Mesmo que não haja um grande piloto a comandar tudo, nem mesmo uma reunião de donos do mundo [apesar da tendência de acharmos o inverso], o objetivo é fazer sempre mais com menos, o máximo com o mínimo, quase tudo com quase nada. Todas as coisas que não se encaixam nesse objetivo único, como, sei lá, ler poesia, observar o pôr-do-sol, tomar chá pelo gosto do chá, ou mesmo estudar filosofia, são descartadas - ou completamente absorvidas por essa lógica. Poesia se torna boa para aumentar nosso vocabulário; observar o pôr-do-sol mostra sua capacidade estética ou sua sensibilidade; chá é bom para relaxar ou acordar. Todas atividades boas para aumentar nossa produtividade, que é o que o importa para a Técnica.

Cinquenta anos depois, o historiador Yuval Noah Harari, autor de "Sapiens", best-seller do "New York Times" quando lançado, em que analisa o passado que trouxe aquele primata estranho até o atual momento, publicou "Homo Deus", em que ele muda de lado sua lente de aumento e aponta para o futuro, para sugerir alguns prognósticos sobre os caminhos que vamos tomar a partir de agora.

Apesar de ser um autor extremamente neoliberal [defende abertamente o mercado como única forma possível de se viver bem], e de alguns escorregões que me fizeram duvidar de suas credenciais como historiador [quando ele coloca nas costas do comunismo todos os problemas da URSS ou da atual China, por exemplo], suas apostas para o futuro acendem a luz laranja.

Um dos pontos altos em seu livro [para alguém como eu, que acha que a metafísica é, feliz ou infelizmente, indispensável] é chamar de "religião" todos arcabouços de pensamento que sustentam o nosso modo de ser em sua totalidade, mesmo que essa "religião" seja o humanismo, ou suas subdivisões, como o que ele chama de liberalismo, socialismo ou darwinismo [cujo ponto mais sombrio seria o Nazismo]. Nesse sentido, a Técnica, identificada por Heidegger, seria também uma "religião". Ou mesmo a ciência, pensada aqui como modo de justificativa para nosso modo de ser. "Religião", portanto, seria o nosso "fundamento", onde nos apoiamos para decidir o caminho que vamos tomar para conseguir nos decidir. Metafísica, em lato sensu.

Ele sugere que o liberalismo, um outro nome para a democracia capitalista nos países ricos, teria "vencido" a guerra fria por, entre outras razões, saber lidar melhor com os dados que o mundo se-nos apresenta diariamente. Mas que esse tipo de "religião" não daria mais conta de um mundo em que somos soterrados diariamente por uma quantidade absurda e exponencial de informação. Para lidar com esse novo paradigma, ele imagina que haverá - ou já há - uma nova "religião": Dataism [algo como Dadoísmo, a junção de "dados" com o sufixo "ismo", que se refere a doutrinas, sistemas, tendências etc.].

É um fato: não damos conta de tudo o que acontece [se é que um dia demos - lembrar que o verso "quem lê tanta notícia?" foi publicado em 1968]. Mas se não é uma questão de qualidade [como se um dia mudamos a nossa característica de "dar conta" das coisas para agora não dar], a quantidade é tão avassaladoramente maior, que quase torna essa característica uma outra coisa. Ou seja, a quantidade é tão de outra ordem que as regras aqui parecem precisar mudar completamente [pensar em mecânica quântica].

Para dar um exemplo de como vivemos em uma constante avalanche de informações, basta tentar lembrar para qual assunto espinhoso e extremamente relevante para nossa vida e para o mundo conseguimos dar nossa atenção nessa última semana: À reforma do ensino médio? À PEC que congela os gastos da saúde e educação por 20 anos? Às denúncias e aos apelidos da Odebrecht? À Lava [a] Jato? Às operações da PF? À crise política econômica fluminense? Às chicanas políticas de Renan et caterva? Ao golpimpeachment? Ao Temer? Ao Trump? Ao Putin? À Allepo? Ao Iraque? À China?

Isso só para ficar nas questões de cunho político mais estrito. Nossos sentidos estão tão abertos a vários e intensos estímulos que impulsos de outras frequências não são nem mesmo captados por nós [ouvi a expressão "Compassion fatigue" - e ela se aplica aqui bem]. Eu fiz de tudo para não saber nada sobre a Síria nesse momento. Não estava dando conta.

O que era incomum - a alta quantidade de notícias - se tornou abundante, exponencial. Estamos ainda na Modernidade, mas em seu fim, no seu extremo fim. Esses dados, que sempre existiram, só podem agora serem lidos por uma inteligência que as processa sem, hum, "pensar" muito. Isto é, que não coloca todas as informações em perspectiva, que não analisa cada uma das questões, a cada momento, que não tem sua atenção desviada com outro assunto no meio da análise. Os humanos não dão mais conta disso. [Não me surpreende que o Transtorno de Déficit de Atenção seja um dos principais problemas entre as crianças. E que a Ritalina se tome no lugar da jujuba hoje em dia.]

O que Harari sugere - e não somente ele -  é que os algoritmos vão tomar conta de nossas decisões a partir de agora. Abastecidos por essa quantidade de informações incomensuravelmente crescente, eles , e só eles, conseguirão processá-las para, a partir de cálculos matemáticos-probabilísticos, dizer qual é a solução "correta". Saímos da verdade divina, passamos pela certeza científica e chegamos às probabilidades técnicas.

Em uma bifurcação, os algoritmos vasculharão todas as informações já publicadas sobre a estrada e descobrirão qual é a melhor forma de se evitar engarrafamentos e chegar o mais rapidamente ao destino. É uma decisão fria, distante, pragmática.

 A democracia representativa perde um pouco de sentido. Não precisaremos mais votar em candidatos: eles seriam colocados no poder a partir da análise de suas biografias, que utilizariam os critérios das últimas pesquisas e artigos científicos publicados para propor quem é o mais apto ao cargo. Aliás, talvez nem precisaríamos de políticos, já que todas as decisões poderiam ser feitas a partir desse mesmo critério: os algoritmos avaliariam os prós e contras de cada uma das bifurcações e optariam, instantaneamente, por um dos caminhos, pelo melhor caminho, cientificamente comprovado, estatisticamente mais produtivo. O único objetivo é seguir em frente, rumo a uma sociedade cada vez mais perfeita - portanto, cada vez menos "humana".

"Humano" aqui é o que eu chamo de nossa capacidade exatamente de nos reter em um determinado assunto e refletir sobre ele, sem exatamente chegar a alguma conclusão definitiva. O que Heidegger chama, grosso modo, de pensamento - daí que o polêmico filósofo alemão falava que a ciência não pensava, mas apenas respondia a estímulos. E, fazendo uma comparação ainda mais controversa, o que Harari chamaria de "consciência".

Mesmo que os computadores tenham cada vez mais capacidade de processar teradados em alta velocidade, essa inteligência não teria necessariamente consciência. Apesar dos grandes avanços da neurociência e da biologia, ainda não se sabe como nasce ou nasceu a consciência; foi a junção de uma alta capacidade de processamento de dados? Foi a nossa constante capacidade de autoquestionamento? Por que precisamos nos questionar tanto? O questionamento pode até ter tido alguma função evolucionista no passado: mas ela ainda teria num mundo em que os algoritmos resolveriam nossas dúvidas?

Podemos ainda dizer que há uma necessidade de cientistas em programar esses algoritmos, portanto os humanos não teriam se tornado obsoletos. Isso, entretanto, vale por pouco tempo: conforme a Inteligência Artificial avança, os computadores entendem cada vez mais sozinhos o que devem fazer, a partir, simplesmente, do mergulho no universo praticamente infinito de dados - como mostra esse artigo da "Economist", por exemplo.

Com o fim da privacidade, forneceremos ainda mais dados biométricos, bioquímicos etc. Em pouco tempo, as próprias máquinas poderão também, por que não?, produzir seus próprios dados a partir dos estudos comparativos [há casos como o de David Cope, para citar um, que criou um algoritmo que produz música e haikus sozinhos, ao entender como funcionavam os formatos já estabelecidos]. Os humanos nos transformaremos, enfim, em apenas uma coleção de dados para a leitura desses algoritmos que produzirão e reproduzirão nosso mundo. Por isso que a filosofia não dá mais conta das nossas questões, segundo Heidegger.

Não sei bem o que pensar sobre isso.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Expurgo

Desde que eu moro no meu prédio, há mais de uma década, senti uma buena onda [como dizem os hispano-hablantes] em Jorge, o porteiro da manhã. É um sujeito de um coração enorme, sempre querendo ajudar quando eu preciso, muito além das suas funções. Quando voltei de Londres, por exemplo, após um ano fora, ele saiu do seu lugar para me dar um abraço. Claro que eu chorei.
Assim que me mudei, uma das primeiras perguntas dele foi: qual é o seu time? Essa foi a deixa para termos a mesma conversa, com pouquíssimas variações, todos os dias que eu passo na portaria: "e o seu Fluminense? Perdeu de novo!", ele me sacaneia. E eu respondo: "Mas o seu Flamengo está horrível também, hein!".
Eu, que não sei o nome nem do técnico tricolor direito, senti algumas vezes que deveria ler, um pouco que seja, a editoria de esportes para ter o que conversar com ele.
Como às vezes não consigo acompanhar o futebol [ainda mais em tempos de 7a1], eu já tentei mudar de assunto para diversos caminhos: política [silêncio], esportes em geral [nada], até a seleção brasileira, pré-hecatombe da Copa, mereceu apenas comentários sem qualquer empolgação.
A única vez que Jorge, nesses mais de dez anos morando no mesmo endereço, falou de outro assunto que não o Fla x Flu diário foi nesse desastre da Chapecoense. Além de mostrar sua tristeza, apontou a revolta contra os culpados pelas mortes de gente inocente: "Você viu que foi falta de combustível?!". Eu, que devo ter ido umas três vezes no Maracanã na vida, pude, na prática, entender finalmente o tamanho e a força dessa calamidade.
Que consigamos passar por essa tragédia como os gregos passavam pelas suas versões originais, como uma catarse [no sentido grego, de "kátharsis", "expurgo"]. Que esse seja o momento de virada para um país inteiro que está revoltado contra os culpados pelas mortes de tanta gente inocente.

sábado, 19 de novembro de 2016

Como fazer a coisa certa?

Não sou grande fã de Spike Lee. Acho obras como "Malcom X" excepcionais, com a sua cinebiografia de um líder negro que aceitava a violência como parte integrante das negociações de poder, em vez de achar que as coisas cairão dos céus porque você se comportou bem, de acordo com as expectativas dos mais fortes.

Ele não mantém, contudo, uma regularidade para me fazer ir ao cinema todas as vezes que lança um novo filme - coisa que acontece com Woody Allen e Martin Scorsese, por exemplo, para ficar só com os nova-iorquinos [na verdade Spike Lee nasceu em Atlanta, mas seus filmes são tão ligados a NY que não dá para dissociá-los].

De qualquer forma, sua obra principal, "Do the right thing", tem ao menos uma cena memorável - e que diz muito sobre o nosso momento histórico. O longa tem aquele clima de retratar o berço da cultura hip-hop, mostrando quase num clima documentário o lado menos conhecido da cidade mais conhecida dos EUA. Sempre achei que faltava, ironicamente, ritmo, no seu início, mais puxado para a comédia de costumes. Depois, há o aumento da temperatura (no sentido metafórico e no literal) que culmina na cena clímax do longa. Para mim, a maior esfinge da obra dele, que eu até hoje não consegui decifrar completamente, o que demonstra todo o seu poder.

No filme, além de dirigir, escrever e atuar, Spike Lee é Mookie, um entregador de pizza que trabalha para o ítalo-americano Sal (Danny Aiello) e convive com seu filho racista Pino (John Turturro). Mookie é um sujeito muito tranquilo, sem muitas ambições, que não tem problemas de relacionamento com os italianos da área, mesmo com todos os poréns.

Ele se identifica com os negros, mas não é um grande partidário de qualquer movimento mais organizado. De certa forma, ele funciona como o elo que conecta os dois lados do bairro. É quem consegue se dar razoavelmente bem com os brancos e vive como os negros. Um sujeito quase híbrido - quase. Com essa facilidade em circular entre os diferentes, Mookie se torna uma espécie de válvula de escape de ambos os lados, o amortecedor de todas as tensões. Até que ele começa a comprar o barulho dos negros.

Encurtando uma trama razoavelmente longa: há uma crescimento da tensão durante o filme e os negros se enfurecem com os italianos e resolvem protestar em frente à pizzaria de Sal. Mookie, que sempre foi razoavelmente tranquilo, está completamente fora de si porque um de seus amigos acabara de morrer enforcado por policiais. Esfrega o rosto na tentativa de encontrar a resposta correta, enquanto os negros e os italianos discutem arduamente, sem tomar uma atitude mais direta.

Sal não é "culpado" de absolutamente nada. Não fez nada que possa ser visto, pelas leis, pelos códigos oficiais, como alguém que merecesse receber qualquer tipo de punição. Ele é o homem que estava há décadas na área, empregando gente do bairro, sempre se posicionando de maneira razoavelmente correta. Sal não era um problema, no sentido mais estrito da questão.

Ali, porém, Sal não era mais apenas Sal. Mookie não era mais somente Mookie. Eles se transformam em símbolos, vão além de suas próprias individualidades. Sal representa a opressão, a hegemonia, o andar de cima que insiste em pisar no de baixo. Mookie, que tinha sido um sujeito que passava panos-quentes em todas as questões desde o início do filme, decide então jogar uma lixeira na janela da pizzaria de Sal. Os negros aproveitam que o pavio tinha sido aceso e pilham o lugar. Era um pedido de reparação histórica.

Dá um confere na cena:


Sempre imaginei que o nome do filme tinha a ver com essa cena. Mas como "fazer a coisa certa" se Sal estava sendo punido por nenhum crime seu? Como o "certo" pode ser quebrar a lei, destruir o patrimônio alheio - ser um "vândalo"? Como o certo pode ser, em resumo, o "errado"?

 A cena é impressionante exatamente porque é amoral. Porque mostra que há momentos em que fazemos o certo por linhas tortas. Que é necessário quebrar algumas regras para que todos sejam respeitados por estas mesmas regras. A cena é grandiosa porque tem várias pontas soltas, várias questões não resolvidas, várias motivações que podem ser contestadas.

Eu, que sempre fui um adolescente muito certinho, fiquei chocado com essa mudança de posição do personagem quando a vi pela primeira vez. Como entender o protagonista bonzinho tomando uma atitude que é completamente contrária às suas atitudes desde o início do filme? Como optar por desrespeitar as regras, sem que isso se transforme numa regra desregrada? Como, em suma, viver sem regras? As regras funcionam para quem? Regras criam privilégios? As perguntas sem acumulam.

Se Mookie tivesse sentado e conversado com todas as partes, resolvido o problema no diálogo, negociando todas as questões, todos nós aplaudiríamos e saberíamos que era, claro, a "coisa certa". Mas o quão verdadeira seria essa cena? O filme mostra todas as nossas incoerências, nossas contradições, nossas vontades que são contra-si mesmas. Mostra que em situações extremas, às vezes, tomamos atitudes extremas. Que, às vezes, a violência contra símbolos opressivos, para destituí-los, para tentar equilibrar um pouco mais as coisas, são mais que desculpáveis, são necessárias. Mas qual é o limite para essa violência?

Suspeito que seja uma ótima metáfora do nosso momento histórico atual.

ps. revendo a cena agora, há uma outra virada de perspectiva quando o chinês diz para os negros que querem destruir seu lugar: "me black". Os negros entendem a diferença e param. Isso me lembra a famosa frase do Eduardo Viveiros de Castro: “No Brasil, todo mundo é índio, exceto quem não é”.