segunda-feira, 23 de junho de 2008

Estatística do medo

O Rio não está nem entre as 200 cidades mais violentas, se considerarmos a taxa número de homicídios por habitantes. Entretanto, como qualquer número, esse não demonstra toda a realidade.

Semana passada, o ator Lázaro Ramos escreveu uma carta para um jornal de Salvador falando que as pessoas lá acham que "tá ficando que nem o Rio". Provavelmente, na estatística, o Rio é menos violento que Salvador, mas as pessoas têm uma percepção diferente.

E o que vale, no fim das contas, é a percepção, que não tem como ser mensurada. Se vc perguntar a qualquer pessoa qual é a cidade mais violenta do Brasil, o Rio chega na frente.

Claro que isso é fruto de uma série de desinformações, tais como a ignorância dos dados estatísticos, a não propagação desse tipo de notícia, a cultura do medo, a espiral da violência como fato jornalístico e por último, mas não menos importante, a presença da periferia carioca dentro das suas áreas ricas.

Mas, independentemente de quaisquer fatores, a verdade é que o carioca se sente mais inseguro que um sujeito que mora, por exemplo, em Nova Iguaçu. Para isso, há outros fatores, como a síndrome do peixe-piloto, como diz um amigo meu. Como esse peixe, que vive ao lado dos tubarões para se alimentar das migalhas que escorrem pela sua bocarra, os lugares onde há mais riqueza atraem mais pessoas pobres, que vivem dos subempregos, da subserviência e de outros subs.

Isso faz com que a percepção dos "formadores de opinião", a.k.a. "classe média", que de média não tem nada, seja de perigo constante e iminente. Qual é a verdade, nesse caso? Adianta saber que temos menos, muito menos, homicídios proporcionalmente que qualquer cidadezinha pequena rural, em que haja disputas de terras? Não muito. Portanto, esses dados estatísticos não servem para dar o grau de segurança de um lugar - nem, talvez, de violência, já que medem um dos tipos de crime.

Para mensurar essa percepção, talvez fosse necessário criar um outro tipo de indicativo, mais qualitativo. Assim como fazem as grandes empresas quando querem avaliar a receptividade de um determinado produto. Mas isso seria muito mais caro.

E, talvez, fosse necessário os poderes públicos e privados mostrarem mais como funciona esse tipo de pesquisa apenas para deixar os cidadãos mais tranqüilos em relação ao lugar onde vivem.

2 comentários:

Eduardo disse...

Cara, no Rio nós temos três fatores que ajudam muito a entender a disseminação das notícias sobre violência:
1 - Geografia: os mais ricos e os mais pobres estão separados por poucos metros, não há apenas uma "periferia pobre", como em outras cidades.
2 - É sede das Organizações Globo
3 - É o cartão postal do país e uma das cidades mais conhecidas e reconhecidas como uma das mais belas do planeta (por mais que o carioca não mensure o privilégio que tem).

Ronaldo disse...

Concordamos em todos os aspectos, com a exceção do terceiro - prefiro Curitiba...

:-)

abraços