sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

sábado, 9 de janeiro de 2010

Polêmica

O primeiro livro de Alanis Morrissette e as referências (e as reverências) a escritores-ícones

Por que escrever (outras sugestões)

"Para todos nós descerá a noite e chegará a diligência. Gozo a brisa que me dão a alma que me deram para gozá-la, e não interrogo nem procuro. Se o que deixar escrito no livro dos viajantes puder, relido um dia por outros, entretê-los também na passagem, será bem. Se não o lerem, nem se entretiverem, será bem também." (página 42 do "L. do D.", de Bernardo Soares, a.k.a Fernando Pessoa, publicado em São Paulo, 2009.)

Apesar de não afirmar nesse trecho o motivo por que escreve, Pessoa nos deixa mais tranquilos sobre a utilidade da escrita: nenhuma. Deve-se escrever com uma saudável indiferença em relação ao seu futuro, ou como o texto será recebido. Não é um pensamento superior, de não se importar com as opiniões dos demais, mas a certeza de que não é esse a real intenção para se escrever. As críticas existirão se tiverem que existir, parece afirmar. Ele é bem claro sobre não se mostrar pairando nem sobre nem sob os demais. Coloca-se no meio de todos. É apenas mais um, que sabe escrever e escreve - aí, sim, há uma razão - para passar o tempo. Para sossegar, diria eu.

Mais simples e conciso é o mexicano Octavio Paz, em seu "O arco e a lira", que comprei na rua por módicos R$ 5 e me disseram valer mais de R$ 70 em sites de livros antigos. Na primeira frase da "Advertência à primeira edição", ele já é claro:

"Escrever, talvez, não tenha outra justificativa senão tratar de responder a essa pergunta que um dia nos fizemos e que, por não ter recebido resposta, não cessa de nos aguilhoar." (página 9 da edição de 1982, publicado no Rio.)

Continuo a buscar, portanto, essa resposta.