conscience
hey man, what's up? why are you this way? Why do you think this kind of things, why do you wanna hurt somebody? No, don't come to me to say that everybody can be save, 'cos you know it's a lie. One day, when you shall not need this, you gonna fell on the hard floor. try how many ways do you want, but you better be sure what is waiting for you. ok, it can the farness, the solitude, and, "com'on, they are just thoughts", but, stop them, at least, where they are. Do not allow they cross the safety line.
hey, are you nutts? do you think that I am here just to make you fell guilty? Listen, I do not exist, to tell you the truth. I am here just to talk, this kind of stuff that you think that is important.
Yeah, let's put some music, fill all the ambient not to fell alone. Go read some books. The same book, the history class book. Go surf here, look for something to talk when you will have someone to talk. and make your own patience. like a painter make his pictures, drawnings. like a sculptor, like a old man waiting for his hour... wait, the only thing there is to learn.
sexta-feira, 19 de março de 2004
Fora-do-ar
A vida de imigrante é, no mínimo, tema para pensamentos de botequim. Amontoam-se em casas pouco confortáveis, luxo distante, da maneira que conseguem, se alimentam com que é mais prático e barato, e não têm nenhuma pretensão de sair para se divertir ou coisa parecida. É igual para os chineses que vão para o Brasil, para os paquistaneses na Inglaterra ou para os brasileiros na Flórida.
No caso desse programa de "intercâmbio", ainda temos uma desculpa esfarrapada: é por tempo limitado, junta-se uma grana e vai-se de retro embora. Mesmo assim, duas semanas já é um tempo considerável para não saber nada do que acontecia ao meu redor (eu fiquei 7 hibernando). Lembro que amigos meus me perguntavam sobre o John Kerry e como era a reação dos americanos sobre ele. Nunca sabia responder além do óbvio: ele, pelo menos, é democrata, numa eleição que os dois partidos daqui vão ter que se diferenciar. (Aqui, por nao terem o dever de ter o direito de votar, as urnas sempre se dividem pela metade, com 40% apenas de presença do povo. Na Espanha - sei porque está fresquinho - a média é acima dos 60%. No Brasil, quanto seria, se desse praia no dia?)
Outro "detalhe" que me surpreendeu foi o atentado em Madri. Não sabia de nada até o dia 13. Parecia que vivia num mundo paralelo que não sofreria interferência de nada externo. Então percebi como eu sou urbano. Estava num lugar lindo, que lembrava o Brasil, com pássaros cantando de manhã, com flores coloridas por todos os lados, com uma praia enorme e quente e perto de casa e eu preocupado com os escândalos políticos do Lula. Outro amigo meu já tinha me advertido que eu leria todo o jornal assim que tivesse longe, mas eu disse que não. E asseguro que resisti por um longo período, mantendo minha rotina do segundo caderno, apenas. Aqui, com o tempo livre, já não mais.
Por último recebi um email de lista onde tinha uma foto que eu não reconheci os personagens. A legenda dizia: em rede nacional. Fiquei horas tentando decifrar quem eram aquelas pessoas, até que me convenci que o sujeito era um amigo meu da faculdade e a menina, uma mulher horrorosa que ele tinha encontrado na noite. Em rede nacional, talvez, porque ele tinha aparecido num jornal, coisa não muito difícil, vide nossos conhecidos. Então começou a pipocar mensagens sobre a foto e descobri que a polênica envolvia participantes do big bróder. Nessas horas, agradeço ficar fora-do-ar.
A vida de imigrante é, no mínimo, tema para pensamentos de botequim. Amontoam-se em casas pouco confortáveis, luxo distante, da maneira que conseguem, se alimentam com que é mais prático e barato, e não têm nenhuma pretensão de sair para se divertir ou coisa parecida. É igual para os chineses que vão para o Brasil, para os paquistaneses na Inglaterra ou para os brasileiros na Flórida.
No caso desse programa de "intercâmbio", ainda temos uma desculpa esfarrapada: é por tempo limitado, junta-se uma grana e vai-se de retro embora. Mesmo assim, duas semanas já é um tempo considerável para não saber nada do que acontecia ao meu redor (eu fiquei 7 hibernando). Lembro que amigos meus me perguntavam sobre o John Kerry e como era a reação dos americanos sobre ele. Nunca sabia responder além do óbvio: ele, pelo menos, é democrata, numa eleição que os dois partidos daqui vão ter que se diferenciar. (Aqui, por nao terem o dever de ter o direito de votar, as urnas sempre se dividem pela metade, com 40% apenas de presença do povo. Na Espanha - sei porque está fresquinho - a média é acima dos 60%. No Brasil, quanto seria, se desse praia no dia?)
Outro "detalhe" que me surpreendeu foi o atentado em Madri. Não sabia de nada até o dia 13. Parecia que vivia num mundo paralelo que não sofreria interferência de nada externo. Então percebi como eu sou urbano. Estava num lugar lindo, que lembrava o Brasil, com pássaros cantando de manhã, com flores coloridas por todos os lados, com uma praia enorme e quente e perto de casa e eu preocupado com os escândalos políticos do Lula. Outro amigo meu já tinha me advertido que eu leria todo o jornal assim que tivesse longe, mas eu disse que não. E asseguro que resisti por um longo período, mantendo minha rotina do segundo caderno, apenas. Aqui, com o tempo livre, já não mais.
Por último recebi um email de lista onde tinha uma foto que eu não reconheci os personagens. A legenda dizia: em rede nacional. Fiquei horas tentando decifrar quem eram aquelas pessoas, até que me convenci que o sujeito era um amigo meu da faculdade e a menina, uma mulher horrorosa que ele tinha encontrado na noite. Em rede nacional, talvez, porque ele tinha aparecido num jornal, coisa não muito difícil, vide nossos conhecidos. Então começou a pipocar mensagens sobre a foto e descobri que a polênica envolvia participantes do big bróder. Nessas horas, agradeço ficar fora-do-ar.
quinta-feira, 18 de março de 2004
Sobre a FL.
Agora que me desliguei da Florida, que tenho tempo e um (alias dois) computador(es), pensei em escrever sobre o mais brasileiro dos estados americanos. (A afirmacao pode parecer presuncao, principalmente de alguem que nao conhece nem 20 provincias americanas, mas nao eh. Duvido que haja algo tao tupiniquim quanto a ponta mais meridional e oriental americana)
Porem, percebi que, tirando esse ultimo parenteses - que eu nao vou destrinchar mais do que estah, nao tenho muita coisa para dizer sobre aquele lugar calorento e caloroso onde tiveram o maior problema da democracia americana, nas ultimas eleicoes presidenciais, ha longiquos quatro anos atras. Porque, simplesmente, nao conheci o lugar, eu mesmo. Ficava tanto tempo enfiado dentro da loja, onde servia de escravo branco, que nao pude conhecer o way of life de lah.
Posso sugerir alguns detalhes, apenas pelo que eu ouvi, ou vi. Como eh um lugar de calor, dentro de um pais inteiro soterrado pela neve, obviamente toda a costa floridense se torna ponto de encontro de pessoas de todos os lugares dos eua. Via mais placas de Nova Iorque e Massachussets que da propria Florida. E, das poucas pessoas locais, menos ainda eram naturais de lah.
A Florida eh um lugar de fuga. Vai para lah quem quer ficar perto do calor, perto do turbilhao de consumo que sao os estados unidos. Nem preciso dizer que encontrei brasileiros quase pendurados em arvores. (Isso eh um exagero, mas gostei da imagem). As cozinhas dos restaurantes tinham como idioma oficial o espanhol; e se 12,5% da populacao americana se diz latina, uma boa parte dela estah na Florida.
Tirando isso, os americanos WASP que vao para lah, estao todos contentes e felizes e sorridentes. E com muita vontade de gastar todas aquelas economias que eles sofreram tanto para juntar o ano inteiro passado. Frase de efeito, para parecer pseudao:Norte-americano nao economiza, gasta. (Inclusive eh isso que faz a maquina economica americana girar, mas isso eh papo para outro dia).
O primeiro lugar que tinha side-walk. Achei um bom detalhe, porque na Carolina do Sul, tirando o Downtown da cidade onde estavamos, ignoravam que poderia haver alguem que pudesse, quisesse, tivesse a pretensao de andar a pe. Em Buffalo, 'tadinhos, todas as calcadas estao soterradas por quilos de neve. Mas, mesmo assim, ninguem andava a pe. O maximo que vi foram mexicanos andando de bicicleta. Ou senhores com senhoras passeando de maos dadas no entardecer - que, vale o detalhe, eh lindissimo.
AH, lembrei de uma coisa interessante: a praia tinha quinze milhares de tipos diferentes de passaros. Pelicanos, gaivotas, albatrozes e outros que nao suspeito o nome. Um dia, ateh, tentei comer um sanduiche de pao e queijo, pobrezinho, na praia e milhares de gaivotas ficaram rasando minha cabeca, sugerindo que eu deveria compartilhar com elas. Como eu sou um pouco lento (adoro eufemismos), demorei ainda alguns segundos para perceber que eles nao diferenciariam minha mao do pao e soh entao adentrei o hotel que estava.
Mas o lugar era legal. As pessoas eram extremamente mais calorosas (tirando o lugar onde eu trabalhava, onde, parecia, queriam balancear a simpatia que emanava nas ruas sendo todos grosseiros e anti-paticos) que na Carolina do Sul, onde conheci pessoas ordinarias, sem nenhum vinculo comigo. Sempre querendo ajudar, dar uma carona, ou apenas, mesmo, conversar para saber de onde vc vinha e o que fazia ali. Teve um argentino que eu encontrei umas quatro vezes, sendo umas tres nos ultimos tres dias que ficaria ali, e todas as vezes ele me convidava para comer um "barbecue", para "hang on". Engracado, nos conversavamos em ingles, mesmo que ele seja meu vizinho de pais e fale uma lingua razoavelmente parecida com a minha... Coisas do monopolio mundial.
Depois escrevo mais.
Agora que me desliguei da Florida, que tenho tempo e um (alias dois) computador(es), pensei em escrever sobre o mais brasileiro dos estados americanos. (A afirmacao pode parecer presuncao, principalmente de alguem que nao conhece nem 20 provincias americanas, mas nao eh. Duvido que haja algo tao tupiniquim quanto a ponta mais meridional e oriental americana)
Porem, percebi que, tirando esse ultimo parenteses - que eu nao vou destrinchar mais do que estah, nao tenho muita coisa para dizer sobre aquele lugar calorento e caloroso onde tiveram o maior problema da democracia americana, nas ultimas eleicoes presidenciais, ha longiquos quatro anos atras. Porque, simplesmente, nao conheci o lugar, eu mesmo. Ficava tanto tempo enfiado dentro da loja, onde servia de escravo branco, que nao pude conhecer o way of life de lah.
Posso sugerir alguns detalhes, apenas pelo que eu ouvi, ou vi. Como eh um lugar de calor, dentro de um pais inteiro soterrado pela neve, obviamente toda a costa floridense se torna ponto de encontro de pessoas de todos os lugares dos eua. Via mais placas de Nova Iorque e Massachussets que da propria Florida. E, das poucas pessoas locais, menos ainda eram naturais de lah.
A Florida eh um lugar de fuga. Vai para lah quem quer ficar perto do calor, perto do turbilhao de consumo que sao os estados unidos. Nem preciso dizer que encontrei brasileiros quase pendurados em arvores. (Isso eh um exagero, mas gostei da imagem). As cozinhas dos restaurantes tinham como idioma oficial o espanhol; e se 12,5% da populacao americana se diz latina, uma boa parte dela estah na Florida.
Tirando isso, os americanos WASP que vao para lah, estao todos contentes e felizes e sorridentes. E com muita vontade de gastar todas aquelas economias que eles sofreram tanto para juntar o ano inteiro passado. Frase de efeito, para parecer pseudao:Norte-americano nao economiza, gasta. (Inclusive eh isso que faz a maquina economica americana girar, mas isso eh papo para outro dia).
O primeiro lugar que tinha side-walk. Achei um bom detalhe, porque na Carolina do Sul, tirando o Downtown da cidade onde estavamos, ignoravam que poderia haver alguem que pudesse, quisesse, tivesse a pretensao de andar a pe. Em Buffalo, 'tadinhos, todas as calcadas estao soterradas por quilos de neve. Mas, mesmo assim, ninguem andava a pe. O maximo que vi foram mexicanos andando de bicicleta. Ou senhores com senhoras passeando de maos dadas no entardecer - que, vale o detalhe, eh lindissimo.
AH, lembrei de uma coisa interessante: a praia tinha quinze milhares de tipos diferentes de passaros. Pelicanos, gaivotas, albatrozes e outros que nao suspeito o nome. Um dia, ateh, tentei comer um sanduiche de pao e queijo, pobrezinho, na praia e milhares de gaivotas ficaram rasando minha cabeca, sugerindo que eu deveria compartilhar com elas. Como eu sou um pouco lento (adoro eufemismos), demorei ainda alguns segundos para perceber que eles nao diferenciariam minha mao do pao e soh entao adentrei o hotel que estava.
Mas o lugar era legal. As pessoas eram extremamente mais calorosas (tirando o lugar onde eu trabalhava, onde, parecia, queriam balancear a simpatia que emanava nas ruas sendo todos grosseiros e anti-paticos) que na Carolina do Sul, onde conheci pessoas ordinarias, sem nenhum vinculo comigo. Sempre querendo ajudar, dar uma carona, ou apenas, mesmo, conversar para saber de onde vc vinha e o que fazia ali. Teve um argentino que eu encontrei umas quatro vezes, sendo umas tres nos ultimos tres dias que ficaria ali, e todas as vezes ele me convidava para comer um "barbecue", para "hang on". Engracado, nos conversavamos em ingles, mesmo que ele seja meu vizinho de pais e fale uma lingua razoavelmente parecida com a minha... Coisas do monopolio mundial.
Depois escrevo mais.
terça-feira, 16 de março de 2004
Pela primeira vez - jah escrevi esse pensamento umas tres vezes hoje - me sinto livre realmente. A partir de amanha, comecando jah hoje, nao tenho que fazer nada daquilo que nao quero. Serei apenas gerenciado pela minha vontade plena. Repetirei todas as coisas boas que fiz em Buffalo, visitarei um grande amigo que nao vejo ha extensos anos em Massachussets, conhecerei Nova Iorque e depois voltarei para o Rio.
Aqui, fechei o ciclo de tres "seasons" em territorio americano. E antes de voltar para casa, conhecerei a quarta estacao. Como um pais temperado, percebi formas diferentes de comportamento nas diferentes temperaturas. E nas diferentes latitudes. A Carolina do Sul era-eh um lugar de caipiras pouco instruidos que nao tem onde gastar o dinheiro que todo o sistema americano de "make money" lhes dao. Parece o resumo do pior que os Estados Unidos tem. Eh deprimente e agoniante. Buffalo eh o suburbio por definicao da America. Pessoas que trabalham muito, que tem posicoes confortaveis, que sabem gastar um pouco melhor, enxergam um pouco mais longe. Tem um naco de New York city, por isso se alimenta um pouco do cosmopolitan way of life da capital - que nao eh, oficialmente, capital de nada. Acah, ou em qualquer lugar do litoral da Florida, avista-se turistas; gente feliz da vida porque nao trabalha e quer gastar dinheiro.
Como se gasta dinheiro aqui. Vi um casal de mulheres (ela-ele latina, baixinha, gorda e extremamente feia; ela-ela americana, loura, rica) gastando 1200 dolares em baboseiras...
tenho que ir agora.
Aqui, fechei o ciclo de tres "seasons" em territorio americano. E antes de voltar para casa, conhecerei a quarta estacao. Como um pais temperado, percebi formas diferentes de comportamento nas diferentes temperaturas. E nas diferentes latitudes. A Carolina do Sul era-eh um lugar de caipiras pouco instruidos que nao tem onde gastar o dinheiro que todo o sistema americano de "make money" lhes dao. Parece o resumo do pior que os Estados Unidos tem. Eh deprimente e agoniante. Buffalo eh o suburbio por definicao da America. Pessoas que trabalham muito, que tem posicoes confortaveis, que sabem gastar um pouco melhor, enxergam um pouco mais longe. Tem um naco de New York city, por isso se alimenta um pouco do cosmopolitan way of life da capital - que nao eh, oficialmente, capital de nada. Acah, ou em qualquer lugar do litoral da Florida, avista-se turistas; gente feliz da vida porque nao trabalha e quer gastar dinheiro.
Como se gasta dinheiro aqui. Vi um casal de mulheres (ela-ele latina, baixinha, gorda e extremamente feia; ela-ela americana, loura, rica) gastando 1200 dolares em baboseiras...
tenho que ir agora.
segunda-feira, 15 de março de 2004
Leaving Florida.
Um mes e meio depois. Descricoes detalhadas poderiam ser escritas, mas resumo tudo numa pequena frase: sinto-me feliz por ter acabado, por ter conseguido completar a volta. Nao sei se era a coisa certa vir para ca, nao sei se ha uma coisa certa (se ha, provavelmente eu nao a fiz). Mas sinto um alivio saber que eu consegui.
Meu chefe, para manter a tradicao, era um estereotipo. Israelense-Arabe Judeu, com tino para negocios, machista, impaciente e que vivia pendurado no telefone falando em hebraico. Quando comecei a trabalhar, eramos dez na loja. Ao sair, resistiram apenas 5, sendo que uma menina tinha comecado a trabalhar naquela semana, e duas outras eram peruanas que nao falam nada de ingles e nao conseguiriam facilmente um novo emprego. E nenhum outro homem. Eu me demiti, de maneira correta, obedecendo todos os prazos e seguindo todas as regras; engulindo todo o orgulho e sendo o maior dos pacientes que eu jah fui. E ele, antes de eu cruzar a saida pela ultima vez, me chamou pelo nome, esticou a mao e disse muito obrigado, "I appreciatte what you did". Ele eh uma das pessoas mais impulsivas e descontroladas que conheci e que vou conhecer na minha vida, tomei o maior esporro da minha vida com ele, mas naquele momento, meus olhos se encheram de lagrimas como se me sussurrassem: consegui, aguentei, sobrevivi.
>>>>>>
Uma das minhas grandes surpresas aqui eh comprovar o obvio. Vivo num grupo e cotidiano que tentam, vez por outra, fugir dos cliches. Talvez porque tenhamos tempo de sobra para lermos, vermos filmes, fazermos estes tipos de coisas inuteis e conhecermos um pouco mais da alma humana, sabendo quais sao os detalhes que mais se repetem no dia-a-dia da populacao e tentamos no diferenciar. Ateh acredito que nao somos muito felizes em 90% das nossas tentativas, mas temos essas consciencia de atitude (o que nao eh bom nem mau em absoluto).
Por isso a surpresa com tantos estereotipos, cliches, lugares-comuns. Duas das peruanas - uma de 24 e outra de 27 anos - querem abandonar o programa e ficar um ano a mais aqui. Uma delas, a mais velha e escrota, ainda tentarah casar-se com um porto-riquenho, mesmo que precise pagar, para conseguir a cidadania americana. E, justica seja feita, ela estah se esforcando para se arranjar.
>>>
A Florida, Melbourne, Indialantic, eh tao parecido com o Brasil que tem chuva de verao, no inverno. Faz-se um sol escaldante e toda a praia fica lotada, o dia inteiro. Claro que os americanos nao tem o cacoete do carioca para a praia, mas eles se parecem com, sei lah, os gauchos ou paulistas quando vao ao litoral. Sempre desengoncados.
>>
Todas as pessoas ao passarem na rua se comprimentam. E sorriem. Todos estao de ferias e tem dinheiro no bolso. Nada mesmo a reclamar...
depois, escrevo mais...
Quarta-feira, Miercoles, Wednesday, back to Buffalo.
Um mes e meio depois. Descricoes detalhadas poderiam ser escritas, mas resumo tudo numa pequena frase: sinto-me feliz por ter acabado, por ter conseguido completar a volta. Nao sei se era a coisa certa vir para ca, nao sei se ha uma coisa certa (se ha, provavelmente eu nao a fiz). Mas sinto um alivio saber que eu consegui.
Meu chefe, para manter a tradicao, era um estereotipo. Israelense-Arabe Judeu, com tino para negocios, machista, impaciente e que vivia pendurado no telefone falando em hebraico. Quando comecei a trabalhar, eramos dez na loja. Ao sair, resistiram apenas 5, sendo que uma menina tinha comecado a trabalhar naquela semana, e duas outras eram peruanas que nao falam nada de ingles e nao conseguiriam facilmente um novo emprego. E nenhum outro homem. Eu me demiti, de maneira correta, obedecendo todos os prazos e seguindo todas as regras; engulindo todo o orgulho e sendo o maior dos pacientes que eu jah fui. E ele, antes de eu cruzar a saida pela ultima vez, me chamou pelo nome, esticou a mao e disse muito obrigado, "I appreciatte what you did". Ele eh uma das pessoas mais impulsivas e descontroladas que conheci e que vou conhecer na minha vida, tomei o maior esporro da minha vida com ele, mas naquele momento, meus olhos se encheram de lagrimas como se me sussurrassem: consegui, aguentei, sobrevivi.
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Uma das minhas grandes surpresas aqui eh comprovar o obvio. Vivo num grupo e cotidiano que tentam, vez por outra, fugir dos cliches. Talvez porque tenhamos tempo de sobra para lermos, vermos filmes, fazermos estes tipos de coisas inuteis e conhecermos um pouco mais da alma humana, sabendo quais sao os detalhes que mais se repetem no dia-a-dia da populacao e tentamos no diferenciar. Ateh acredito que nao somos muito felizes em 90% das nossas tentativas, mas temos essas consciencia de atitude (o que nao eh bom nem mau em absoluto).
Por isso a surpresa com tantos estereotipos, cliches, lugares-comuns. Duas das peruanas - uma de 24 e outra de 27 anos - querem abandonar o programa e ficar um ano a mais aqui. Uma delas, a mais velha e escrota, ainda tentarah casar-se com um porto-riquenho, mesmo que precise pagar, para conseguir a cidadania americana. E, justica seja feita, ela estah se esforcando para se arranjar.
>>>
A Florida, Melbourne, Indialantic, eh tao parecido com o Brasil que tem chuva de verao, no inverno. Faz-se um sol escaldante e toda a praia fica lotada, o dia inteiro. Claro que os americanos nao tem o cacoete do carioca para a praia, mas eles se parecem com, sei lah, os gauchos ou paulistas quando vao ao litoral. Sempre desengoncados.
>>
Todas as pessoas ao passarem na rua se comprimentam. E sorriem. Todos estao de ferias e tem dinheiro no bolso. Nada mesmo a reclamar...
depois, escrevo mais...
Quarta-feira, Miercoles, Wednesday, back to Buffalo.
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