sábado, 28 de abril de 2012

Filosofia na América Latina?

O desafio na América Latina é simplesmente o de filosofar contra todas as expectativas. Todos os outros problemas são menos graves do que esse, que me parece o fundamental. Já no começo do século XX, muitos países latino-americanos começaram a se perguntar acerca de um filosofar desde a América Latina, e o problema da sua mera existência precedia a todos os problemas de essência: antes de discutir as temáticas e metodologias de um filosofar latino-americano, é preciso perguntar se poderá o pensador latino-americano filosofar.

[...]
Na filosofia hispano-americana já se colocou em xeque há muitos anos – pelo menos desde os escritos de Leopoldo Zea e Salazar Bondy – a identificação entre o “universal” e o europeu; a Europa situou problemas universais a partir da sua perspectiva histórico-existencial e nós, latino-americanos, deveríamos fazer o que eles fizeram, situar os universais desde nossa perspectiva pensante (que inclui, por exemplo, a conquista, uma experiência que o europeu nunca teve). Desse modo, nos afastaríamos tanto de um nacionalismo hoje impensável quanto de um universalismo abstrato, aquele que impera atualmente na comunidade brasileira.
Julio Cabrera, professor argentino de filosofia da UNB. [via.]

Estou começando a achar que a minha monografia foi uma bola dentro.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

A crença na vida

Só existe um problema filosófico realmente sério: é o suicídio. Julgar se a vida vale ou não a pena ser vivida é responder à questão fundamental da filosofia. O resto, se o mundo tem três dimensões, se o espírito tem nove ou doze categorias, aparece em seguida. São jogos. É preciso, antes de tudo, responder. E se é verdade, como pretende Nietzsche, que um filósofo, para ser confiável, deve pregar com o exemplo, percebe-se a importância dessa resposta, já que ela vai preceder o gesto definitivo. Estão aí as evidências que são sensíveis para o coração, mas que é preciso aprofundar para torná-las claras à inteligência.
Quando Camus começou o seu "O mito de Sísifo" com mais uma de suas frases lapidares, ele estava levando a pergunta, a questão anterior, a um passo à frente. Não estava fazendo como eu, que concluo vez por outra o óbvio. Dias desses, por exemplo, descobri que a morte é o momento mais importante na vida das pessoas. Não é muito original, admito, mas o meu raciocínio levou em conta que a morte mostra a nossa finitude, trata do inexplicável, antecipa a nossa fragilidade... Tudo o que fazemos é para postergar a nossa vida, mesmo que metaforicamente, mesmo sabendo que a imortalidade, em princípio, mas não cientificamente, é impossível.

Camus sabia disso tudo, claro. O que ele queria com sua pergunta era tentar responder, sendo um discípulo, ou um seguidor, ou um interpretador de Nietzsche: vale a pena viver? Num mundo sem Deus, em que não seremos para sempre castigados num inferno [isso vale um parágrafo, o seguinte], por que continuar vivendo uma vida infeliz?

Claro que Nietzsche, por exemplo, foi um que tentou responder à sua maneira a essa pergunta - e já estamos chegando onde eu quero chegar. Temos que viver nossa de maneira a não nos arrependermos caso tenhamos que vivê-la novamente. O instante é único, mas e se fôssemos condenados à eternidade à nossa vida, você se sentiria no paraíso ou no inferno? Ou você pensa que Sartre não estava sendo, também, irônico quando disse que o inferno são os outros?

O que eu quero dizer com tudo isso é: é impossível viver sem algum tipo de crença e, por assim dizer, uma espécie de sentimento religioso. Sem essa fé, mesmo que minúscula, de que vale a pena continuar, de que vale a pena prosseguir, mesmo quando as alternativas mais sensatas seriam desistir, não sobreviveríamos. Há algo dentro de nós, uma força inexplicável, ou ainda não identificada, que nos mantém acesos. Pode ser vista nos olhos de crianças famintas, na vontade dos doentes terminais de evitar o descanso final, ou na incapacidade de um deprimido crônico em se matar - até para o suicídio é preciso de força. Sérgio Rodrigues uma vez disse algo interessante: "O ser é mais forte que o não ser, enquanto é", que é uma resposta bastante heideggeriana [mas eu não tenho conhecimento de Heidegger para fazer mais que o reconhecimento].

As pessoas acreditam. Acreditam que vale a pena levantar da cama de manhã cedo, mesmo que esteja chovendo e frio lá fora. Que o trabalho será compensado. Que  o casamento é o ideal de felicidade. Que os filhos são prolongamentos dos seus próprios seres. Que o amor é a coisa mais importante da vida. E é eterno. Que há um príncipe - ou princesa - encantado[a] à espera em algum lugar que você ainda não esteve. Que uma carreira bem sucedida traz segurança e tranquilidade. Que vale a pena sofrer cinco dias para viver dois. Que amanhã, tudo vai ser diferente. Que no fim, tudo vai dar certo.

Mesmo o mais arraigado ateu acredita que não há um Deus, ou deuses, que o mundo é controlado por uma série de forças naturais, que se equilibram e desequilibram com o passar do tempo. E usa de argumentos científicos, matemáticos para provar que o universo não tem fim, e está em constante expansão.

Não crer é prostrar-se. É perder a força, a vontade [no sentido de Schopenhauer], a empolgação. É se encasular, é diminuir as rotações do coração até que ele quase para - ou para. Não há diferença. Crer é viver.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Pre-Bukowski with skirts

"L'Absinthe", by Degas
"Yes, I am sad, sad as a circus-lioness, sad as an eagle without wings, sad as a violin with only one string and that one broken, sad as a woman who is growing old. Sad, sad, sad. ... Or perhaps, if I just said 'merde' it would do as well" [Sophia Jansen, the protagonist and narrator of "Good Morning, Midnight", by Jean Rhys]

domingo, 22 de abril de 2012

Dandy Warhols on the top, again

The Dandy Warhols had already been "my favourite band of the last week", as well as had others dozens of groups. This means I have heard all of their albums, but the first, and know by heart all their hits - the tunes, not the lyrics, as I don't know how to sing either "happy birthday". Nowadays, however, I was letting the Warhols on the side, dedicating myself to some novelties [oh, man, the music business is the craziest and fastest of all of the cultural ones!]. Although, once in the top, you will have always a fond for them. So, if I discover they will play on London, I will definitely go, as I did yesterday.

Despite the fact they had already been my favourite band, I didn't know anything about them, besides their music. Indeed, I am a horrible fan. I have never seen the faces of the musicians, didn't know their names, neither knew how many people were in the band. Shame on me, I know. The only opportunity I have watched them live was on the very educative Michael Winterbottom's film "9 songs". However in that occasion, the music was, hum, into the background, if you know what I mean.


Besides the fact I was not familiar with them, I was almost sure they were a little junkie. At least, some of their songs are about heroin ["Not if you were the last junkie on earth"] or to be high ["The last high"]. Of course they also talk about religion ["Mohammed"], philosophy ["Nietzsche"], and all of their references, like   "Ride", or one of the best, "Cool as Kim Deal". But I was very surprised when I saw the vocalist Courtney Taylor-Taylor tanned and apparently healthy as a surfer. Likewise, I was not shocked when, in the beginning of the concert, he seemed stoned, as a surfer. I haven't found any proof of his abilities on the sea. Probably because they [Brent DeBoer on the drums, Peter Holmström on the guitar, and Zia McCabe on the keyboards] are from Portland, in Oregon, one of the coldest states in the USA, in the Northwest, just below Washington.


This stoned attitude was an advantage, though. They have played first all of their more climate tracks, taking us to a different and more elevated atmosphere. Taylor is a very charismatic front man. With a slim body, and long arms, he has almost a sexual relationship with his guitar, resembling sometimes Jim Morrison, sometimes Steven Tyler. Holmström is a quiet and enigmatic fellow, who wears a homburg hat with a feather. DeBoer, Taylor's cousin, is the traditional drummer - never showing up. And McCabe tries to drawn attention to herself dancing or, sometimes, talking to the audience. But the showman of the band is, with no doubt, Taylor.

He arrived with his loose hair, a thin tie and large T-shirt. After the firsts tracks, he took the tie out, hold the hair and started to interact more with the spectators. At this moment, we were impressed, but not exactly in the same mood as them. But after some of their hits, as "Boys better", "I love you", or "Good morning" [if my memory does not betray me] we were conquered. 

In the middle of the concert, they played tracks of the new album, "This machine", which will be released this week. I would highlight "Enjoy yourself", played after he told us a anecdote about a car accident, which I haven't understood a comma. And, the end was just for the biggest hits, like "Bohemian like you" or "Horse pills". At this moment, we were jumping with the whole people in HMV Forum, in Kentish Town. The energy was so high that the security crew made some excited boys leave before the concert finishes. Poor guys.

My favourite moment, although, was in the middle, when DeBoer, McCabe and Holmström left the stage and only Taylor stayed. He said he could sing something while the others didn't come back. And ask for suggestion of the audience, who started to shout all titles. He put one of his microphones [he uses two] to the public and started. He miss one of the chord, apologized, and continued. I don't know if it was fake, but he pick one of my preferred: "Everyday should be a holiday". I agree with them.


  
ps. to prove the concert was one of the best I have ever watched, I have bought a Dandy Warhols' T-shirt. The only band shirt that I have.