De la misma manera que las epidemias medievales no respetaban ni las fronteras religiosas ni las jerarquías sociales, la rebelión juvenil anuló las clasificaciones ideológicas. A esta espontánea universalidad de la protesta correspondió una reacción no menos espontánea y universal: invariablemente los gobiernos atribuyeron los desórdenes a una conspiración del exterior. Aunque los supuestos y secretos inspiradores fueron casi los mismos en todas partes, en cada país se barajaron sus nombres de manera distinta.O texto de Octavio Paz sobre o massacre na praça Tlatelolco, "Olimpíada e Tlatelolco", em que morreram - extraoficialmente - 325 pessoas, é tão bom que dá vontade de copiar todas as seis páginas. De uma atualidade às vezes desconcertante, como se não restasse nada para nós, para sermos um pouquinho originais. Principalmente se considerarmos as semelhanças entre a situação político-econômica do México em fins da década de 1960 e o Brasil do início dos 2000s. E que o México, assim como o Brasil, foi escolhido para sediar os dois principais eventos esportivos do mundo, em um intervalo de apenas dois anos. A diferença, talvez, fique no fato de que aqui as mortes policiais vêm no varejo, quase nunca no atacado.
[...]
El sentido profundo de la protesta juvenil —sin ignorar ni sus razones ni sus objetivos inmediatos y circunstanciales— consiste en haber opuesto al fantasma implacable del futuro la realidad espontánea del ahora. La irrupción del ahora significa la aparición, en el centro de la vida contemporánea, de la palabra prohibida, la palabra maldita: placer, una palabra no menos explosiva y no menos hermosa que la palabra justicia. Cuando digo placer no pienso en la elaboración de un nuevo hedonismo ni en el regreso a la antigua sabiduría sensual —aunque lo primero no sea desdeñable y lo segundo sea deseable— sino en la revelación de esa mitad oscura del hombre que ha sido humillada y sepultada por las morales del progreso: esa mitad que se revela en las imágenes del arte y del amor. La definición del hombre como un ser que trabaja debe cambiarse por la del hombre como un ser que desea. Ésa es la tradición que va de Blake a los poetas surrealistas y que los jóvenes recogen: la tradición profética de la poesía de Occidente desde el romanticismo alemán.
[...]
¿cuál es el verdadero tiempo del hombre, en dónde está su reino? Y si su reino es el presente, ¿cómo insertar el ahora, por naturaleza explosivo y orgiástico, en el tiempo histórico? La sociedad moderna ha de contestar a estas preguntas sobre el ahora —ahora mismo—.
[...]
Desde hace cuarenta años, y especialmente en las dos últimas décadas, la economía del país ha hecho tales progresos que los economistas y sociólogos citan el caso de México como un ejemplo para los otros países subdesarrollados. En efecto, las estadísticas son impresionantes, sobre todo si se tiene en cuenta el estado en que se encontraba la nación en 1910 y las destrucciones materiales y humanas que sufrió durante cerca de veinte años de guerras civiles. Como una suerte de reconocimiento internacional a su transformación en un país moderno o semimoderno, México solicitó y obtuvo que su capital fuese la sede de los Juegos Olímpicos en 1968.
[...]
Pero dentro del contexto de la rebelión juvenil y de la represión que la siguió, estas celebraciones parecieron gestos espectaculares con los que se quería ocultar la realidad de un país conmovido y aterrado por la violencia gubernamental. Así, en el momento en que el gobierno tenía el reconocimiento internacional de cuarenta años de estabilidad política y de progreso económico, una mancha de sangre disipaba el optimismo oficial y provocaba en los espíritus una duda sobre el sentido de ese progreso.
[...]
El movimiento estudiantil se inició como una querella callejera entre bandas rivales de adolescentes. La brutalidad policiaca unió a los muchachos. Después, a medida que aumentaban los rigores de la represión y hostilidad de la prensa, la radio y la televisión, en su totalidad entregadas al gobierno, el movimiento se robusteció, se extendió y adquirió conciencia de sí. En el transcurso de unas cuantas semanas apareció claramente que los estudiantes, sin habérselo propuesto expresamente, eran los voceros del pueblo. Subrayo: no los voceros de esta o aquella clase, sino de la conciencia general. Desde el principio se intentó aislar el movimiento tendiendo un cordón sanitario que lo aislase e impidiese el contagio ideológico.
Los dirigentes y funcionarios de los sindicatos obreros se apresuraron a condenar, en términos amenazadores, a los estudiantes; lo mismo hicieron, aunque con menos violencia, los partidos políticos de la izquierda y la derecha oficiales. No obstante la movilización de todos estos medios de propaganda y de coacción moral, para no hablar de la violencia física de la policía y el ejército, el pueblo engrosó espontáneamente las manifestaciones juveniles y una de ellas, la célebre “manifestación silenciosa”, agrupó a cerca de cuatrocientas mil personas, algo nunca visto en México.
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sábado, 29 de março de 2014
Protestos, Olimpíadas e violência... no México
domingo, 7 de julho de 2013
A metáfora Anderson Silva
Entre tantos outros temas, MMA e UFC estão entre aqueles que eu menos conheço [ali junto da reforma política e de física quântica]. Mas a derrota do antes imbatível Anderson Silva pode, talvez, no ensinar algo - ou reensinar, em alguns casos [mas nunca é demais repetir um ensinamento]. O maior adversário de alguém é a sua exageradamente alta autoconfiança.
Sei lá se a luta foi comprada, sei lá se é mais emocionante ganhar na revanche, sei lá se todas as teorias da conspiração que se reproduzem pelas ruas e pela internet fazem qualquer sentido. O que se viu, o que pode ser visto nos vídeos com os nem dois rounds da luta, é um lutador tentando tirar onda com um outro, que está focado no seu objetivo. Um era o lutador moleque, audaz, cheio de ginga e manemolência. O outro, o seguro, adulto, claro no que ele queria. Aconteceu o que aconteceu.
Escreveu um amigo no FB: "Semana de queda dos invictos (domingo passado Espanha e nessa madrugada Anderson Silva) Então me lembrei do Bane falando pro Batman nesse ultimo filme da trilogia do Christopher Nolan. Ele falou que: 'A vitória contínua e constante enfraquece o espírito, a vitória te amoleceu.'"
Isso, claro, acontece em todas as áreas. Todas. Pense no PT e os seus dez anos deitados em berço esplêndido. Pense, antes, no PSDB e os seus oito anos ao som do mar e à luz do céu profundo. Pense no Neymar e como ele é criticado quando seu futebol se resume a firula, sem objetividade. Firula sem um fim é objeto de circo. Beleza pela beleza vira formato sem qualquer conteúdo e cansa, perde a conexão. Há a necessidade de um equilíbrio.
Um bom exemplo pode ser resgatado do próprio Neymar, e exatamente no seu gol contra a Espanha na semana passada. Para quem não viu ou não se lembra: o nosso atual camisa 10, recebe a bola na intermediária e passa rapidamente para o Oscar. Corre para dentro da grande área mas entra em posição de impedimento. Ao perceber isso, volta muito rapidamente para a linha dos zagueiros, a ponto de conseguir receber o passe de Oscar, que também muito inteligentemente o havia esperado, e que chegou na hora certa de ele apenas matar a bola e soltar um tiro na direção da meta espanhola.
Ali, o jogador que se apresentou era um atleta inteligente, que jogou se utilizando das regras ao seu favor, percebeu o seu entorno e fez o que dele se esperava: gol. Não apenas isso. Um golaço de um craque.
Um craque é aquele sabe usar as suas vantagens sem ficar cego por elas próprias. Um desafio constante.
É essa certeza de superioridade que atrapalha. O homem deve confiar em si, desconfiando. Saber, duvidando. Agir, pensando.
Sei lá se a luta foi comprada, sei lá se é mais emocionante ganhar na revanche, sei lá se todas as teorias da conspiração que se reproduzem pelas ruas e pela internet fazem qualquer sentido. O que se viu, o que pode ser visto nos vídeos com os nem dois rounds da luta, é um lutador tentando tirar onda com um outro, que está focado no seu objetivo. Um era o lutador moleque, audaz, cheio de ginga e manemolência. O outro, o seguro, adulto, claro no que ele queria. Aconteceu o que aconteceu.
Escreveu um amigo no FB: "Semana de queda dos invictos (domingo passado Espanha e nessa madrugada Anderson Silva) Então me lembrei do Bane falando pro Batman nesse ultimo filme da trilogia do Christopher Nolan. Ele falou que: 'A vitória contínua e constante enfraquece o espírito, a vitória te amoleceu.'"
Isso, claro, acontece em todas as áreas. Todas. Pense no PT e os seus dez anos deitados em berço esplêndido. Pense, antes, no PSDB e os seus oito anos ao som do mar e à luz do céu profundo. Pense no Neymar e como ele é criticado quando seu futebol se resume a firula, sem objetividade. Firula sem um fim é objeto de circo. Beleza pela beleza vira formato sem qualquer conteúdo e cansa, perde a conexão. Há a necessidade de um equilíbrio.
Um bom exemplo pode ser resgatado do próprio Neymar, e exatamente no seu gol contra a Espanha na semana passada. Para quem não viu ou não se lembra: o nosso atual camisa 10, recebe a bola na intermediária e passa rapidamente para o Oscar. Corre para dentro da grande área mas entra em posição de impedimento. Ao perceber isso, volta muito rapidamente para a linha dos zagueiros, a ponto de conseguir receber o passe de Oscar, que também muito inteligentemente o havia esperado, e que chegou na hora certa de ele apenas matar a bola e soltar um tiro na direção da meta espanhola.
Ali, o jogador que se apresentou era um atleta inteligente, que jogou se utilizando das regras ao seu favor, percebeu o seu entorno e fez o que dele se esperava: gol. Não apenas isso. Um golaço de um craque.
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Um craque é aquele sabe usar as suas vantagens sem ficar cego por elas próprias. Um desafio constante.
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É essa certeza de superioridade que atrapalha. O homem deve confiar em si, desconfiando. Saber, duvidando. Agir, pensando.
segunda-feira, 15 de outubro de 2012
Otimismo forçado para a Copa do Mundo
Primeiro foi o comercial da Brahma, como bem já havia destacado Jorge Fernando, que nos mostrou que não precisamos fazer nada para que a Copa do Mundo seja perfeita - com aeroportos funcionando perfeitamente, e o trânsito tranquilo mesmo nas grandes cidades - porque, bem, fazemos os "maiores clássicos" [gostaria de ouvir a opinião de um milanês sobre o assunto], o rèveillon e o carnaval. Fim do argumento, estou convencido.
Depois, o da Volkswagen, que começa falando que há uma reclamação generalizada porque o futebol não seria "mais o mesmo", e que a "magia" teria acabado. Em seguida, eles desconversam: "bobagem, nada mata o nosso amor à camisa". Começa a repetir que somos inventores, criativos, e, enquanto um Gol aparentemente dirigido pelo Neymar adentra um Maracanã banguela, que ninguém faz "gol" como a gente. Nem tão caro.
Em seguida, foi a vez da Globo [não encontrei o vídeo] veicular um institucional com a sua nova assinatura "a gente se liga em você", lançada, segundo consegui apurar, há cerca de um ano, mas focada especificamente na parte de esportes. Pelo que eu me lembro, há uma série de platitudes sobre o esporte em geral, e termina reafirmando que somos um país de neymares, ayrtons, daianes. Considerando que não estamos em período de Olimpíadas, nem de qualquer evento esportivo grande, achei curioso - para não dizer sem muito propósito.
Por fim, o ministério dos Esportes se valeu dos nomes de Pelé e de Ronaldo para igualmente tentar injetar ânimo nas pessoas: "Pode acreditar, nós vamos fazer a melhor Copa do Mundo de todos os tempos" - é a primeira frase do "maior atleta do século" que argumenta "porque de Copa, a gente entende". Talvez ele esteja confundindo os termos.
Junte a essa propaganda massiva, uma coincidência. Sabe aquela reclamação de que você nunca conheceu ninguém entrevistado para as pesquisas de opinião? Você vai ter que mudar de argumento, agora. No sábado, uma senhora com sotaque forte do Nordeste e uma dicção excelente ligou aqui para casa, se identificando como sendo do instituto Ipsos, para saber a minha opinião sobre os próximos eventos esportivos no Brasil.
A pesquisa, encomendada pela Fifa, queria saber se eu achava que os estádios ficariam prontos, se teríamos violência no período, se teríamos algum legado, se eu estava empolgado, quais deveriam ser as obrigações nos campos sociais e eco-ambientais da federação de futebol, onde eu estava me programando para assistir às partidas, de quais seleções eu gostaria de ver jogos e, a que me deu mais prazer em responder, o que eu achava da Fifa. Foi um momento catártico.
Junte também o fato de o prefeito Eduardo Paes, que tem o ônus [e o bônus] de fazer uma Olimpíada para daqui a quatro anos, veio a público criticar a organização da competição de futebol: "Brasil já perdeu a Copa", como diz o Estadão, ou já "perdeu a oportunidade" de organizar melhor a Copa, como amansou O Globo. A conclusão: a Copa vai ser mequetrefe.
Quando nem os políticos da situação estão acreditando na força de organização de um evento da magnitude da Copa, não adianta fazer pesquisas de opinião, muito menos usar atletas famosos e "vencedores" [como eu odeio essa expressão] para empolgar as pessoas. Fica apenas apelativo, descolado da realidade.
ps. uma sugestão para se tentar começar a resolver o problema - para não dizer que eu sou do time do quanto pior melhor. Como o povo brasileiro gostamos de futebol, e futebol bem jogado, além de competitivo, uma das possibilidades para nos animar seria montar uma seleção capaz de tentar almejar - ou nos fazer crer que é possível - o título. Para isso, claro, é necessário começar um trabalho mais sério a partir da CBF. Mas talvez seja pedir demais.
Depois, o da Volkswagen, que começa falando que há uma reclamação generalizada porque o futebol não seria "mais o mesmo", e que a "magia" teria acabado. Em seguida, eles desconversam: "bobagem, nada mata o nosso amor à camisa". Começa a repetir que somos inventores, criativos, e, enquanto um Gol aparentemente dirigido pelo Neymar adentra um Maracanã banguela, que ninguém faz "gol" como a gente. Nem tão caro.
Em seguida, foi a vez da Globo [não encontrei o vídeo] veicular um institucional com a sua nova assinatura "a gente se liga em você", lançada, segundo consegui apurar, há cerca de um ano, mas focada especificamente na parte de esportes. Pelo que eu me lembro, há uma série de platitudes sobre o esporte em geral, e termina reafirmando que somos um país de neymares, ayrtons, daianes. Considerando que não estamos em período de Olimpíadas, nem de qualquer evento esportivo grande, achei curioso - para não dizer sem muito propósito.
Por fim, o ministério dos Esportes se valeu dos nomes de Pelé e de Ronaldo para igualmente tentar injetar ânimo nas pessoas: "Pode acreditar, nós vamos fazer a melhor Copa do Mundo de todos os tempos" - é a primeira frase do "maior atleta do século" que argumenta "porque de Copa, a gente entende". Talvez ele esteja confundindo os termos.
Junte a essa propaganda massiva, uma coincidência. Sabe aquela reclamação de que você nunca conheceu ninguém entrevistado para as pesquisas de opinião? Você vai ter que mudar de argumento, agora. No sábado, uma senhora com sotaque forte do Nordeste e uma dicção excelente ligou aqui para casa, se identificando como sendo do instituto Ipsos, para saber a minha opinião sobre os próximos eventos esportivos no Brasil.
A pesquisa, encomendada pela Fifa, queria saber se eu achava que os estádios ficariam prontos, se teríamos violência no período, se teríamos algum legado, se eu estava empolgado, quais deveriam ser as obrigações nos campos sociais e eco-ambientais da federação de futebol, onde eu estava me programando para assistir às partidas, de quais seleções eu gostaria de ver jogos e, a que me deu mais prazer em responder, o que eu achava da Fifa. Foi um momento catártico.
Junte também o fato de o prefeito Eduardo Paes, que tem o ônus [e o bônus] de fazer uma Olimpíada para daqui a quatro anos, veio a público criticar a organização da competição de futebol: "Brasil já perdeu a Copa", como diz o Estadão, ou já "perdeu a oportunidade" de organizar melhor a Copa, como amansou O Globo. A conclusão: a Copa vai ser mequetrefe.
Quando nem os políticos da situação estão acreditando na força de organização de um evento da magnitude da Copa, não adianta fazer pesquisas de opinião, muito menos usar atletas famosos e "vencedores" [como eu odeio essa expressão] para empolgar as pessoas. Fica apenas apelativo, descolado da realidade.
ps. uma sugestão para se tentar começar a resolver o problema - para não dizer que eu sou do time do quanto pior melhor. Como o povo brasileiro gostamos de futebol, e futebol bem jogado, além de competitivo, uma das possibilidades para nos animar seria montar uma seleção capaz de tentar almejar - ou nos fazer crer que é possível - o título. Para isso, claro, é necessário começar um trabalho mais sério a partir da CBF. Mas talvez seja pedir demais.
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
Esportes ingleses
É curiosa a afeição que os ingleses têm por esportes. Em geral. Parece com a de americanos, mas é mais. Sem comparação com os brasileiros, que são monotemáticos quando esse é o assunto. Aqui, dá para saber o perfil da pessoa, ou pelo menos construir o primeiro elemento de entendimento social, se descobrimos qual é o seu esporte favorito ou, no caso do futebol, por que time torce. Chelsea, por exemplo, é time dos ricos. Críquete, esporte dos riquíssimos.
Curiosamente, em relação ao críquete, os indianos, e vários países pobres de colonização inglesa, tipo Quênia, são igualmente fanáticos pelo esporte. Como se fosse uma pequena ironia do destino do esporte que era dedicado à nobreza na Inglaterra ter que receber africanos, caribenhos [que competem unidos como "Índias ocidentais"] ou indianos e paquistaneses [quando duelam, é tipo Argentina x Brasil no futebol, mas com armas nucleares de cada lado] em seus campos. Aliás, há um belo e longo filme indiano chamado "Lagaan" [é muito curioso nós brasileiros não termos ideia desse filme que é mais que um clássico indiano, é uma instituição do povo do subcontinente, como é, por exemplo "Aquarela do Brasil" para esse outro país continental] em que se fantasia o início do críquete na Índia, como se fosse um disputa territorial, entre opressores e oprimidos. Os oprimidos se unem em torno do esporte, esquecendo suas enormes diferenças - é só lembrar que a Índia tem cerca de 30 línguas que são faladas por, no mínimo, mais de um milhão de pessoas; e que há hindus, muçulmanos, sikhs e outras religiões. Não é preciso dizer quem ganha a partida.
A metáfora de guerra e união dos povos pelo esporte me apareceu ontem, no texto de um colunista que falava sobre a Haka, a dança tradicional que o All Blacks - o time de rúgbi da Nova Zelândia - executa antes de participar dos jogos. A dança é feita pelos maoris, o povo que habitava as duas ilhas ao sul da Austrália antes da chegada dos ingleses, que a executavam antes de batalhas, e cuja intenção é mascarar seus medos e passá-lo para o adversário, além de atingir, mesmo que como metáfora, a imortalidade, ou pelo menos o sentimento de invencibilidade. Eu lia o texto do Henry Swarbrick, e me arrepiava no meio do metrô lotado de saída de trabalho. É exatamente nisso que eu acredito ser o melhor do esporte, e o melhor da música, do cinema, da vida, enfim. Fazer as ações como se estivesse tirando a última força de dentro de si. Como se fosse a única verdade a se descobrir. Como se possuísse alma, tivesse punch, fosse "tru", nas palavras do Zé.
Além disso, a dança é executada por todo o time, seja branco-filho-de-europeu-emigrante ou moreno-neto-de-polinésio, demonstrando que, ao menos dentro do campo, eles têm apenas um único corpo, o da Nova Zelândia. O que demonstra como o esporte, novamente, pode ser um sinônimo de agregação entre culturas e que, se não podemos voltar ao passado e mudar o que aconteceu, podemos aprender com essa história.
ps. Os All Blacks jogam no sábado contra o time da Austrália por um lugar na final do campeonato mundial de rúgbi - a outra semi é disputada no domingo entre França e País de Gales. Nem preciso dizer por quem estou torcendo.
pps. E falando de esporte nascido inglês que vai para o mundo e representa a união de culturas, o que dizer do futebol, e do futebol no Brasil?
Curiosamente, em relação ao críquete, os indianos, e vários países pobres de colonização inglesa, tipo Quênia, são igualmente fanáticos pelo esporte. Como se fosse uma pequena ironia do destino do esporte que era dedicado à nobreza na Inglaterra ter que receber africanos, caribenhos [que competem unidos como "Índias ocidentais"] ou indianos e paquistaneses [quando duelam, é tipo Argentina x Brasil no futebol, mas com armas nucleares de cada lado] em seus campos. Aliás, há um belo e longo filme indiano chamado "Lagaan" [é muito curioso nós brasileiros não termos ideia desse filme que é mais que um clássico indiano, é uma instituição do povo do subcontinente, como é, por exemplo "Aquarela do Brasil" para esse outro país continental] em que se fantasia o início do críquete na Índia, como se fosse um disputa territorial, entre opressores e oprimidos. Os oprimidos se unem em torno do esporte, esquecendo suas enormes diferenças - é só lembrar que a Índia tem cerca de 30 línguas que são faladas por, no mínimo, mais de um milhão de pessoas; e que há hindus, muçulmanos, sikhs e outras religiões. Não é preciso dizer quem ganha a partida.
Além disso, a dança é executada por todo o time, seja branco-filho-de-europeu-emigrante ou moreno-neto-de-polinésio, demonstrando que, ao menos dentro do campo, eles têm apenas um único corpo, o da Nova Zelândia. O que demonstra como o esporte, novamente, pode ser um sinônimo de agregação entre culturas e que, se não podemos voltar ao passado e mudar o que aconteceu, podemos aprender com essa história.
ps. Os All Blacks jogam no sábado contra o time da Austrália por um lugar na final do campeonato mundial de rúgbi - a outra semi é disputada no domingo entre França e País de Gales. Nem preciso dizer por quem estou torcendo.
pps. E falando de esporte nascido inglês que vai para o mundo e representa a união de culturas, o que dizer do futebol, e do futebol no Brasil?
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