Jogadores para exportação
"A presença brasileira na Copa das Confederações não se limitou à Seleção. O país do futebol também foi representado em campo por Kuranyi, da Alemanha, Zinha, do México, Clayton e Santos, da Tunísia, e Alex, do Japão. Fora de campo, a comissão técnica japonesa, comandada por Zico, é quase toda brasileira. Em compensação, nosso Lúcio é mais alemão do que muitos alemães – como Beckenbauer, por exemplo, que, sabemos todos, era brasileiro dentro do campo. Brasileiríssimo." - Roberto Benevides, no Nomínimo.
Fico pensando se não devíamos encarar os jogadores como matéria-prima ou produtos industrializados, dependendo do grau de manufatura, e cobrar algum tipo de imposto para exportação. Lucraríamos muito.
:o)
quinta-feira, 30 de junho de 2005
Politicagem correta ou necessária?
- Minha mãe tinha uma aversão profunda ao desperdício. Como, aliás, uma grande parte das mães. Não gostava que deixássemos comida nos pratos. Apagava todas as luzes da casa, fechava as torneiras, pedia para que nos ensaboássemos com o chuveiro desligado.
- Quando veio o apagão e o racionamento obrigatório, ficamos, eu e minha mãe, sem saber o que cortar. Ela seria punida por ter sido econômica a vida inteira. Teríamos que diminuir um consumo que já era naturalmente baixo.
- Lembro-me de uma cena insólita. Tinha algo como 14, 15 anos. Brincava com uns garotos na natação e um deles arremessou talco, que usávamos em nossas toucas, no outro, derramando um bocado no chão. Gritei de onde estava que era um desperdício e emendei, talvez com uma lógica mais profunda que o momento exigia, que muita gente passava fome para que houvesse tamanho desapego aos bens materiais.
- Claro que os moleques me caçoaram afirmando que eu queria acabar com a fome mundial com talco. Nem consegui explicar todo o processo que tinha em minha cabeça. Hoje, rio apenas.
- É normalíssimo, contudo, conhecer pessoas que, simplesmente porque não vivem em escassez, praticam os maiores absurdos - na minha cabeça.
- Hoje presenciei uma discussão onde amigos meus diziam que, por exemplo, ao escovar os dentes deixam a torneira da pia aberta. E, argumentando, quase com sarcasmo, que quem se preocupava com isso era neurótico.
Eu sou neurótico, mas não é por isso.
- Realmente acho que, mesmo que tais recursos fossem infinitos, não seríamos nós a usar algo despropositadamente. Por que não usar apenas o necessário? Sou um grande partidário da reciclagem, porque não reaproveitar tudo o já utilizado em outros aspectos?
- Não sou defensor da causa verde, mas é inegável que nosso país não é um bom exemplo mundial. Seja porque aqui a opulência é confundida como riqueza, seja porque economia tem um ranço de mesquinhez.
- Agora, ter que convencer alguém em pleno funcionamento da razão da importância de fechar a torneira ao escovar os dentes é muito pior que explicar para os garotos da natação que dinheiro não cresce em árvores.
- Infelizmente ninguém é convencido com o óbvio. E o certo sempre é punido pelos erros da maioria. Isso é viver em sociedade.
- Minha mãe tinha uma aversão profunda ao desperdício. Como, aliás, uma grande parte das mães. Não gostava que deixássemos comida nos pratos. Apagava todas as luzes da casa, fechava as torneiras, pedia para que nos ensaboássemos com o chuveiro desligado.
- Quando veio o apagão e o racionamento obrigatório, ficamos, eu e minha mãe, sem saber o que cortar. Ela seria punida por ter sido econômica a vida inteira. Teríamos que diminuir um consumo que já era naturalmente baixo.
- Lembro-me de uma cena insólita. Tinha algo como 14, 15 anos. Brincava com uns garotos na natação e um deles arremessou talco, que usávamos em nossas toucas, no outro, derramando um bocado no chão. Gritei de onde estava que era um desperdício e emendei, talvez com uma lógica mais profunda que o momento exigia, que muita gente passava fome para que houvesse tamanho desapego aos bens materiais.
- Claro que os moleques me caçoaram afirmando que eu queria acabar com a fome mundial com talco. Nem consegui explicar todo o processo que tinha em minha cabeça. Hoje, rio apenas.
- É normalíssimo, contudo, conhecer pessoas que, simplesmente porque não vivem em escassez, praticam os maiores absurdos - na minha cabeça.
- Hoje presenciei uma discussão onde amigos meus diziam que, por exemplo, ao escovar os dentes deixam a torneira da pia aberta. E, argumentando, quase com sarcasmo, que quem se preocupava com isso era neurótico.
Eu sou neurótico, mas não é por isso.
- Realmente acho que, mesmo que tais recursos fossem infinitos, não seríamos nós a usar algo despropositadamente. Por que não usar apenas o necessário? Sou um grande partidário da reciclagem, porque não reaproveitar tudo o já utilizado em outros aspectos?
- Não sou defensor da causa verde, mas é inegável que nosso país não é um bom exemplo mundial. Seja porque aqui a opulência é confundida como riqueza, seja porque economia tem um ranço de mesquinhez.
- Agora, ter que convencer alguém em pleno funcionamento da razão da importância de fechar a torneira ao escovar os dentes é muito pior que explicar para os garotos da natação que dinheiro não cresce em árvores.
- Infelizmente ninguém é convencido com o óbvio. E o certo sempre é punido pelos erros da maioria. Isso é viver em sociedade.
quarta-feira, 29 de junho de 2005
Futebol-arte
- Em 1987, no auge da sabedoria que os seis anos me conferiam, dizia que não gostava do Bebeto porque ele "só" fazia gols. Meu argumento era sólido. Meter o pé na bola para ela entrar, qualquer um poderia fazer, o mais difícil era trabalhar a jogada e levá-la para ele.
- Tornei-me, com o decorrer dos anos, um sujeito mais ligado às belas jogadas que ao ganhar pelo ganhar. Odiei a seleção de 94. Achei a de 98 mais ou menos e a torci do início ao fim pela de 2002.
- LF Veríssimo, um de meus maiores ídolos, é favorável ao futebol de resultado. Disse, depois do Brasil x Argentina pelas eliminatórias, que o mundo poderia ser dividido entre os partidários do Riquelme e os do Robinho. E, a opção por uma desses lados revelaria muito de nosso caráter.
- No jogo contra os alemães, houve uma jogada, que não se concretizou em gol, que resume bem o porquê eu ainda gostar do futebol. Bola cruzada na área, dois zagueiros gigantes marcando o pequeno atacante do Brasil, ele faz uma cama-de-gato, deixa ambos batendo cabeça, mata a bola no peito, deixar quicar uma vez e bate para o gol. Lembrou-me na hora o gol do Pelé contra o País de Gales em 1958. Em seqüência, o comentarista faz a mesma observação.
- Hoje, Brasil x Argentina novamente. Robinho, outra vez, não faz gol. Mas, há uma jogada, aquela que o Ronaldinho depois, em impedimento, completou, que vai ficar para sempre. O molequinho humilhou metade do time argentino e bateu na bola que categoricamente explodiu no travessão. Suspiros...
- Em compensação... um camarada meu, nesse exato instante, no msn: "acho que perdemos a Copa hoje. Se cruzarmos com os argentinos lá..." Eu: "e eu ainda creio na história do Brasil só ganhar Copa se chegar desacreditado".
- Pelo menos a partida de hoje foi EXCELENTE.
- Em 1987, no auge da sabedoria que os seis anos me conferiam, dizia que não gostava do Bebeto porque ele "só" fazia gols. Meu argumento era sólido. Meter o pé na bola para ela entrar, qualquer um poderia fazer, o mais difícil era trabalhar a jogada e levá-la para ele.
- Tornei-me, com o decorrer dos anos, um sujeito mais ligado às belas jogadas que ao ganhar pelo ganhar. Odiei a seleção de 94. Achei a de 98 mais ou menos e a torci do início ao fim pela de 2002.
- LF Veríssimo, um de meus maiores ídolos, é favorável ao futebol de resultado. Disse, depois do Brasil x Argentina pelas eliminatórias, que o mundo poderia ser dividido entre os partidários do Riquelme e os do Robinho. E, a opção por uma desses lados revelaria muito de nosso caráter.
- No jogo contra os alemães, houve uma jogada, que não se concretizou em gol, que resume bem o porquê eu ainda gostar do futebol. Bola cruzada na área, dois zagueiros gigantes marcando o pequeno atacante do Brasil, ele faz uma cama-de-gato, deixa ambos batendo cabeça, mata a bola no peito, deixar quicar uma vez e bate para o gol. Lembrou-me na hora o gol do Pelé contra o País de Gales em 1958. Em seqüência, o comentarista faz a mesma observação.
- Hoje, Brasil x Argentina novamente. Robinho, outra vez, não faz gol. Mas, há uma jogada, aquela que o Ronaldinho depois, em impedimento, completou, que vai ficar para sempre. O molequinho humilhou metade do time argentino e bateu na bola que categoricamente explodiu no travessão. Suspiros...
- Em compensação... um camarada meu, nesse exato instante, no msn: "acho que perdemos a Copa hoje. Se cruzarmos com os argentinos lá..." Eu: "e eu ainda creio na história do Brasil só ganhar Copa se chegar desacreditado".
- Pelo menos a partida de hoje foi EXCELENTE.
terça-feira, 28 de junho de 2005
O acaso - notas soltas
- Esqueci-me de colocar esse adendo no post abaixo. Ou melhor, não foi exatamente, ou apenas, um esquecimento.
- Além do todo escrito, há ainda o que um tal de William Shakespeare chamava de "razões que a própria razão desconhece". Acaso, coincidência, esses detalhes que não existem.
- Quando tinha uns 16 anos, mais ou menos, fiquei amigo de um professor coroaço que contava um historinha muito curiosa. Segundo ele, a pessoa mais fácil de se hipnotizar é aquele que fala "nunca vão conseguir". Os piores, óbvio, são os que não acreditam, de maneira nenhuma, na hipnose.
- Quinta, enquanto escrevia a nota abaixo, encontrei com uma amiga de anos no msn. Perguntou como eu ia, falou da sua atual atividade (artes gráficas) e insistiu que eu lhe desse meus dados biográficos: ela queria fazer meu mapa astral.
- Argumentei que não, não era bom saber do meu futuro porque se o soubesse, preguiçoso como sou, ficaria parado até que a profecia se realizasse.
- Lembra (sem querer me comparar, mas já o fazendo) do Neo no primeiro e único "Matrix" que presta, quando ele vai ao Oráculo e ela não lhe diz nada relevante, apenas para que ele cumpra completamente a sua missão? Então...
- Minha amiga afirmou que falaria apenas sobre mim. Sobre as minhas possibilidades, sobre o que eu sou e quais princípios eu tenho para alcançar qualquer fim. Estava um pouco agitado, aceitei.
- Mesmo aí embaixo, disse veladamente que o ser humano é feito de crença. Você deve crer em algo para existir. Se o mundo é sua vontade e sua representação, e se vc não tem ambas as coisas, o seu mundo é o nada, o vazio, a ausência. Logo, o mundo é algo racional, relativo e muito baseado em crenças.
- Qualquer crença é infundada. O ato de crer é absurdo. Por outro lado, a própria razão perdeu toda a sua credibilidade, nos últimos anos, quando não deu todas as respostas. Por isso o crescimento do esoterismo. Mas esse papo é para outro dia.
- M. escreveu: "só para constar, a astrologia é milenar, se fosse assim tão esotericamente inútil, não resistiria todo este tempo......os antigos cientistas, as grandes civilizações a usavam"
- Após um diálogo que editado deu em três páginas, me senti tremendamente leve, seguro e confiante. Não quer dizer que eu me transformei no mais ardoroso esotérico, toc, toc, toc, bate na madeira. Não cri em tudo aquilo que me foi dito, mas tais palavras funcionaram como analgésicos (placebos, como todas as drogas) para a minha alma.
- Esqueci-me de colocar esse adendo no post abaixo. Ou melhor, não foi exatamente, ou apenas, um esquecimento.
- Além do todo escrito, há ainda o que um tal de William Shakespeare chamava de "razões que a própria razão desconhece". Acaso, coincidência, esses detalhes que não existem.
- Quando tinha uns 16 anos, mais ou menos, fiquei amigo de um professor coroaço que contava um historinha muito curiosa. Segundo ele, a pessoa mais fácil de se hipnotizar é aquele que fala "nunca vão conseguir". Os piores, óbvio, são os que não acreditam, de maneira nenhuma, na hipnose.
- Quinta, enquanto escrevia a nota abaixo, encontrei com uma amiga de anos no msn. Perguntou como eu ia, falou da sua atual atividade (artes gráficas) e insistiu que eu lhe desse meus dados biográficos: ela queria fazer meu mapa astral.
- Argumentei que não, não era bom saber do meu futuro porque se o soubesse, preguiçoso como sou, ficaria parado até que a profecia se realizasse.
- Lembra (sem querer me comparar, mas já o fazendo) do Neo no primeiro e único "Matrix" que presta, quando ele vai ao Oráculo e ela não lhe diz nada relevante, apenas para que ele cumpra completamente a sua missão? Então...
- Minha amiga afirmou que falaria apenas sobre mim. Sobre as minhas possibilidades, sobre o que eu sou e quais princípios eu tenho para alcançar qualquer fim. Estava um pouco agitado, aceitei.
- Mesmo aí embaixo, disse veladamente que o ser humano é feito de crença. Você deve crer em algo para existir. Se o mundo é sua vontade e sua representação, e se vc não tem ambas as coisas, o seu mundo é o nada, o vazio, a ausência. Logo, o mundo é algo racional, relativo e muito baseado em crenças.
- Qualquer crença é infundada. O ato de crer é absurdo. Por outro lado, a própria razão perdeu toda a sua credibilidade, nos últimos anos, quando não deu todas as respostas. Por isso o crescimento do esoterismo. Mas esse papo é para outro dia.
- M. escreveu: "só para constar, a astrologia é milenar, se fosse assim tão esotericamente inútil, não resistiria todo este tempo......os antigos cientistas, as grandes civilizações a usavam"
- Após um diálogo que editado deu em três páginas, me senti tremendamente leve, seguro e confiante. Não quer dizer que eu me transformei no mais ardoroso esotérico, toc, toc, toc, bate na madeira. Não cri em tudo aquilo que me foi dito, mas tais palavras funcionaram como analgésicos (placebos, como todas as drogas) para a minha alma.
quinta-feira, 23 de junho de 2005
Orelhadas pseudonas num dia parado
Como todo mundo sabe, Freud dizia que somos a mistura daqueles três conscientes, que ele mesmo inventou: id, ego, superego. De acordo com ele, nós seríamos o impulso, o id, e sofreríamos a censura do ego - que seria uma adaptação do que é o certo, para se viver em sociedade; ou uma adaptação do superego, que é a própria visão do grupo.
Por outro lado, LF Veríssimo fala - em tom meio sério, meio verdadeiro - que se a sociedade existe ainda hoje foi porque evitamos o nosso id, com maior projeção para o nosso ego. Ou seja, se só respeitássemos os nossos impulsos, o nível de assassinatos, estupros, roubos e furtos seria quase insuportável.
Em um terceiro ponto-de-vista, tem-se Arthur Schopenhauer que (resumidamente, por favor) afirma que o mundo é a nossa representação e a nossa vontade. Ou seja, somos aquilo que queremos ser.
Novamente Freud. O austríaco também fez comentários sobre os "instintos", ou sobre o subconsciente. O que interessa é, de acordo com ele, há atitudes que fogem da razão. De acordo com o raciocínio dele mesmo, há momentos que somos mais impulsivos, ou que o id se sobressai ao ego e ao superego "sem querer".
Mas a pergunta que se faz é simples, quem está certo? Ou, better, há certeza? Há quem está certo e o outro errado? Há uma simplificação dicotômica assim? E, a melhor de todas, são realmente idéias conflitantes?
O próprio Schopenhauer fala sobre viver apenas o presente e que qualquer outro tipo de plano é dispensável, já que o futuro, assim como o passado, é inexistente. Ou seja, criamos o mundo conforme as nossas idéias, vontades e representações, mas é necessário tomar atitudes instantâneas. Quase como uma mistura das idéias de razão e emoção. Do ocidental e oriental. Borges dizia que o alemão havia explicado o mundo. Eu, humildemente, concordo.
Como todo mundo sabe, Freud dizia que somos a mistura daqueles três conscientes, que ele mesmo inventou: id, ego, superego. De acordo com ele, nós seríamos o impulso, o id, e sofreríamos a censura do ego - que seria uma adaptação do que é o certo, para se viver em sociedade; ou uma adaptação do superego, que é a própria visão do grupo.
Por outro lado, LF Veríssimo fala - em tom meio sério, meio verdadeiro - que se a sociedade existe ainda hoje foi porque evitamos o nosso id, com maior projeção para o nosso ego. Ou seja, se só respeitássemos os nossos impulsos, o nível de assassinatos, estupros, roubos e furtos seria quase insuportável.
Em um terceiro ponto-de-vista, tem-se Arthur Schopenhauer que (resumidamente, por favor) afirma que o mundo é a nossa representação e a nossa vontade. Ou seja, somos aquilo que queremos ser.
Novamente Freud. O austríaco também fez comentários sobre os "instintos", ou sobre o subconsciente. O que interessa é, de acordo com ele, há atitudes que fogem da razão. De acordo com o raciocínio dele mesmo, há momentos que somos mais impulsivos, ou que o id se sobressai ao ego e ao superego "sem querer".
Mas a pergunta que se faz é simples, quem está certo? Ou, better, há certeza? Há quem está certo e o outro errado? Há uma simplificação dicotômica assim? E, a melhor de todas, são realmente idéias conflitantes?
O próprio Schopenhauer fala sobre viver apenas o presente e que qualquer outro tipo de plano é dispensável, já que o futuro, assim como o passado, é inexistente. Ou seja, criamos o mundo conforme as nossas idéias, vontades e representações, mas é necessário tomar atitudes instantâneas. Quase como uma mistura das idéias de razão e emoção. Do ocidental e oriental. Borges dizia que o alemão havia explicado o mundo. Eu, humildemente, concordo.
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