quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Uma vez é impossível

Sabe o "Antes do amanhecer" e o "Depois do pôr-do-sol"? Tire 60% dos diálogos. Acrescente números musicais, mas nada gratuito, sempre dentro de um contexto e nunca com danças no meio da rua. As canções têm corpo do irlandês Damien Rice, membros de Coldplay, mas sem frescuras, e cabeça do Radiohead da primeira fase, a roqueira seminal, com cabelos ruivos e segunda voz feminina. Pronto, está tecnicamente pronta a fórmula de "Once", longa-metragem escrito e dirigido por John Carney, que agrada até os mais descrentes da fórmula dos musicais.

Claro que "Once" não é aparentado com "Chicago" ou "Moulin Rouge", para citar dois a mão. Ele é primo distante, pelo lado das canções pops mostradas em formato videoclipe, de "Nine songs"; sobrinho neto de "Hedwig", pela parte da independência (ganhou o World Cinema Audience Award em Sundance); e irmão mais novo de "The Commitments": é irlandês, retrata Dublin, também criou uma banda após o fim do filme que excursionou - me diz Carla Meneghini, a responsável por me viciar no filme e conseqüentemente na trilha sonora.

(Mas a maior coincidência é o protagonista, Glen Hansard, que trabalhou no filme do Alan Parker. Era o guitarrista. Ou John Carney, que é amigo de Damien Rice e já foi baixista da The Frames, banda de Hansard, que já excursionou com Rice, como apoio. Se alguém disser que a Irlanda tem sete pessoas - porque o U2 é irlandês - eu acredito. Aliás2, Hansard e Markéta Irglová, a protagonista, que, segundo o wikipédia tem uma diferença de quase 20 anos, estão juntos, dizem as boas línguas.)

Voltando ao assunto principal deste texto: "Once" e sua trilha sonora. O filme seria divertido, leve e até mesmo surpreendente se fosse mudo. Mas com as músicas se torna tentador. É aconselhável ver o filme e "comprar", logo em seguida, as músicas. De preferência, "tenha em casa" o longa também. Porque ver apenas uma vez é praticamente impossível.

sábado, 12 de janeiro de 2008

Interpretação

Nos filmes de até a década de 1950, diz Luis Fernando Veríssimo, quando um casal estava aos amassos e entrava o fade, tudo era subentendido. Sabíamos o que aconteceria dali para frente. Hoje, se o mesmo acontecer, é provável que achemos muito estranho que o casal, depois de ter passado pela fase dos beijos e abraços não chegue aos finalmente.

Isso quer dizer muitas coisas, mas quero abordar outro tema além do gala-fraquismo. Ficamos menos interpretativos, imaginativos, subjetivos e outros ivos nas últimas décadas. Ou seja, se não virmos, pelo menos, umas peças de roupa sendo tiradas, o fato não está comprovado. E deve haver quem só se conforme com as vias de fato, algo como "9 songs" e adjacências. Motivos para essa mudança devem existir aos montes e vejo já quem diz sobre a falta do hábito da leitura e todas as suas conseqüências.

Curiosamente, esse comportamento é positivo para, pelo menos, uma atividade: o jornalismo. Desconfiar é uma das melhores coisas que um sujeito pode fazer na labuta diária de redação.

Só queria dizer isso.

sábado, 5 de janeiro de 2008

Alfabetos

O italiano não tem "j". O alemão tem o "j", o "w", o "y", o "k" e o "ß" (lê-se "ess-tset", ou uma mistura curiosa de "ess" - o "s" - e "tset" - o "z"). Provavelmente herança dos tempos anglo-saxônicos. No português temos o "ç", e, junto com o espanhol, temos o "~", que é uma corruptela do "n", assinalando a nasalidade da sílaba.

O "w" é dois "u" (no inglês) ou dois "v" (no alemão). O islandês usa ainda o "þ" (thorn) e o "ð"(eth). As duas letras foram substituídas nas outras línguas anglo-saxãs por "th". Ainda havia "ƿ", (wynn), que foi substituído em todos os lugares por "w".

Outras curiosidades aqui.