quinta-feira, 31 de julho de 2008

Assobiando

Começo a ficar preocupado com a minha saúde mental. Agora, após Anathallo (aliás, cabe uma "correção": o grupo de post-rock que eles mais se parecem não é Sigur Rós ou Explosion in the Sky, mas Tortoise, com o seus multi-homens), cismei com um sujeito chamado Andrew Bird.

Também multiinstrumentista, como Sufjan Stevens - olha ele aí - e nascido em Chicago, no estado americano de Illinois, que inspirou o álbum mais aclamado de mr. Stevens, Bird pousou no meu computador através das sugestões do last.fm - grande site - como artista parecido desse aí citado.

Sim, ele tem um pé no folk, é um desses sujeitos que fazem tudo na banda, assim também como Stevens, mas seu estilo é menos viajante, mais pé no chão. Sem, entretanto, de vez em quando, fazer sons viajantes, como a última faixa ("Yawny at the apocalipse") de seu último disco ("Armchair Apocrypha"), que parece ter uma baleia cantando.

Leio no wikipedia que o moço se formou na faculdade de música, tocando violino. Ou seja, não é um qualquer. Mas saber música não quer dizer fazer algo legal-divertido. E ele, além de não ser complicado, faz música para assobiar:

terça-feira, 29 de julho de 2008

Renascido

Misture Arcade Fire com Sufjan Stevens e acrescente um pouco de post-rock, da vertente Sigur Rós ou Explosion in the Sky. Sirva pela manhã. Os sete garotos que formaram o Anathallo (diz o Wikipedia que vem do grego "renascer", numa tradução livre da tradução) em Mt. Pleasant, Michigan (por acaso a terra de mr. Stevens), mereceram a minha atenção imediata quando os escutei pela primeira vez. Algo raro hoje em dia.

Conseguem fazer um som peso-pluma, que tende a crescer, sempre com uma melodia lindíssima. Usam de vocais trabalhados, instrumentos inusitados e, diz a lenda, ao vivo, são impressionantes.



O septeto tem três discos lançados, e alguns outros EPs. Toda a minha empolgação é só por causa do último, "Floating World", que usa histórias da mitologia japonesa como matéria-prima para as letras. Assim como Stevens usava as histórias dos estados de Michigan e de Illinois, em dois de seus trabalhos mais aclamados.

Mas não pense, apesar da similaridades e da utilização de instrumentos variados, que eles tocam rock progressivo. Claro que se pode comparar, assim como se compara Mogway ou mesmo Radiohead. Mas, hoje em dia, em tempos que o rock acabou faz 15 anos e tudo o que aparece parece chupado de algo com três acordes e nenhum neurônio ou vontade verdadeira, uma música um pouquinho mais trabalhada, sem perder o punch para isso, e ainda utilizando a formação de uma banda de rock é um alento.

sábado, 26 de julho de 2008

Sem sustos

Infelizmente não me assombro com algo que tenha lido há muitos anos. Posso ter ficado impressionado, ter gostado e até achado legal alguns livros, mas a maioria é chata. Abandono no meu do caminho. Talvez o problema seja comigo.

Para tirar um pouco o peso das minhas costas, vi dois amigos meus dizendo que o mesmo acontece com eles com música e cinema - uma arte para cada pessoa. Acham tudo monótono, repetitivo, contando a mesma história de há cinqüenta gerações.

Talvez, com a idade, as novidades vão se escasseando. Ou simplesmente ficamos mais chatos. Infelizmente.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Além da 'Comida'

A milícia consegue o seu dinheiro vendendo suposta proteção para moradores das áreas pobres da Zona Oeste. Ou seja, lidam com um bem público, como a segurança, de maneira privada - fazendo com que as pessoas não tenham em quem confiar.

E demonstrando que, mais que um problema que se deve atacar a conseqüência - a milícia em si -, deve-se cobrar atitudes contra a causa - a falta de policiamento adequado, que traria paz à galera dali, que não deixaria ter traficante na região, que prendesse os ladrões... Enfim.

Os paramilitares arranjam grana controlando a máfia das vans piratas. O que também é a intervenção direta no domínio do estado. Se o município fosse mais cuidadoso com as pessoas que moram longe dos centro urbanos, dando ônibus decente, trem razoável e metrô de qualquer tipo, não teria como haver tanta Kombi caindo aos pedaços na área cobrando dos real para levar gente de Sepetiba a Campo Grande. A prefeitura encara o serviço público - transporte - como uma disputa privada - só as áreas ricas têm linhas suficientes (e até mais que o necessário, muitas vezes).

Outro braço da milícia que poderia ser facilmente desarticulado, sem um único tiro, apenas com investimento estatal, é o gás. Os milicianos também controlam a venda dos botijões, tascando um ágio no preço do distribuidor. Se a empresa que controla esse serviço investisse em levar o encanamento às áreas pobres... o resto você pode imaginar. Se não rolasse, que pelo menos organizasse a venda dos botijões mesmo. Mas não. Os milicianos que tomam conta.

Entretanto, o lucro maior da milícia, segundo um amigo meu que, além de fotógrafo de crianças, estuda o assunto violência, é o gatonet. Para quem não tem idéia do que é isso, uma explicação boboca e rápida: a pirataria do sinal de internet e TV a cabo de uma determinada empresa, cujo nome não precisamos repetir. Taí um serviço que não é público.

O "desvio" desse serviço é até curioso, porque - diretamente - ninguém sai perdendo, além da própria companhia. Pelo contrário, os moradores geralmente têm o mesmo serviço que os da Zona Sul e pagam apenas um terço por ele. A empresa em si também não perde nada - novamente: diretamente -, mas deixa de ganhar. O seu serviço não é atrapalhado, nem ela deixa de atender alguém porque o seu sinal está sendo multiplicado. Ou seja, é quase uma pirataria inócua - assim como o download de músicas, filmes etc.

Só não vou escrever que o ato de popularizar o acesso à internet e ao conteúdo diferenciado dos canais pagos é até interessante porque vão dizer que estou fazendo apologia - muito pelo contrário, sou 100% contra a milícia. E, ainda por cima, aqui em casa, nem temos TV por assinatura. Mas que a questão lembra a letra de "Comida", do Titãs, não tem como negar.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Teste

Copacabana é um bairro curioso. Talvez o mais sui generis de todos. Provavelmente uma espécie de metonímia da cidade. As antíteses, já evidentes no restante da urbe, aqui se aproximam do paradoxo. O abandono hiperbólico pelas ruas, com milhares de mendigos sobrevivendo dos restos da sociedade, convivendo com a grande parte dos turistas que aporta na Zona Sul. São os prédios com centenas de apartamentos pleonásticos, vítimas da especulação imobiliária, e a Atlântica que recebe livre a brisa da manhã. As calçadas lotadas de vendedores informais e as grifes caríssimas ao lado dos hotéis com várias estrelas. Os meninos de rua e as madames que andam, lado a lado, eufemisticamente, sem reparar uns nas outras, pelo calçadão. É aquela areia que parece que não acaba, sitiada, dividida entre figuras das mais diferentes estirpes. São as putas presas na praia, à noite, e as babás com seus bebês, da manhã. Copacabana é o microcosmo que reflete e antecipa o restante do Rio. Os engarrafamentos da Rio Branco na Barata Ribeiro. A praia de Ipanema, prima-irmã, que é menor e menos bonita. Os dois fortes que são mirantes tal qual o do Leblon e que foram construídos para a proteção da praia. É a população que vem da Zona Norte, da Baixada, dos subúrbios, do Nordeste, de todos os lugares. Copacabana é o Rio em menor escala, ou, como já disseram, o Rio é uma grande Copacabana.

domingo, 20 de julho de 2008

Faça a coisa certa

"Em protesto contra a morte do motoboy, por volta das 9h de sábado (19), os moradores do Morro Azul depredaram uma agência do banco HSBC, incendiaram lixeiras, pneus, móveis, barracas de camelôs e ainda danificaram ao menos quatro carros, dentre eles um veículo da Polícia Militar. A rua chegou a ser fechada pelos policiais por algumas horas até o início da madrugada de domingo."

No Flamengo. Chamem o Spike Lee.

sábado, 19 de julho de 2008

Ligações ocultas

"You may be interested to know that global warming, earthquakes, hurricanes, and other natural disasters are a direct effect of the shrinking numbers of Pirates since the 1800s. For your interest, I have included a graph of the approximate number of pirates versus the average global temperature over the last 200 years. As you can see, there is a statistically significant inverse relationship between pirates and global temperature."

Gostei desse cara.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Puritano

Além de me corrigir nos momentos mais inoportunos e de me sugerir não iniciar as frases com o pronome oblíquo, mesmo após o célebre "me dá um cigarro", o word não aceita eu incluir palavras de baixo calão, como "merda" ou "puto". Detalhe, ambas estão dicionarizadas no Aurélio.

domingo, 13 de julho de 2008

Entre mim e você

O altruísmo não existe. (Optei por começar esse pensamento com uma afirmação simples, em vez de fazer uma pergunta que apenas tiraria a negativa e tascaria uma interrogação ao fim da frase. Mas a questão continua. Obviamente cada um tem a sua opinião sobre o assunto, e eu só quis criar uma polêmica - ou simplesmente não seja fã de começar um texto com uma pergunta, como categoricamente me disse um amigo meu. Isso não importa e só demonstra que fiz esse parágrafo como nariz-de-cera).

Não foi Nietzsche quem disse que somos apenas egoístas? Bem, se não disse, o bigodudo deve ter pensado. É bem a cara do filósofo mais destruidor dos últimos séculos dizer que até os gestos mais bondosos, em que, em tese, fazemos em prol dos demais, o fazemos apenas para inflar, mesmo que intimamento, o nosso ego.

Claro que esse raciocínio tem via dupla - e por isso a escolha da frase inicial é aleatória, como expliquei no primeiro parágrafo. Ou seja, mesmo quando age simplesmente em prol de si mesmo, ele pode argumentar, filosoficamente, que estava agindo para tentar diminuir o ego do outro, ou que qualquer ajuda seria demonstrar como ele próprio se sente superior ao outro, ou ainda que ele não se sente capaz de auxiliar ninguém em nada.

A questão, provavelmente, é outra. Seria tão ruim o egoismo? Se o altruísmo não existe mesmo, como proposto aleatoriamente no início do texto, todas ações seriam egoísticas, ou seja, feitas sempre em prol de si mesmo. Bastaria a nós tentar diferenciar cada uma delas e separá-las em três grupos, as inócuas, as produtivas e as venenosas.

Mas, diferente do que foi dito até agora, proponho que o altruísmo exista, sim, mas apenas como utopia. Aconteceria quando alguém agisse sem pensar nas conseqüências de suas atitudes, sem imaginar ou esperar um bem das próprias ações. Ou seja, quando alguém é inocente, no sentido que a palavra tem de "não contaminado". Algo que só as crianças - de todas as idades - seriam capazes. Por isso a "utopia".

Dá para montar um esquema em que as atitudes são divididas em (a) impulso inicial, (b) ato em si, (c) conseqüência. (b) geralmente não muda, é um produto de (a) com (c). Se agirmos sem pensar em (c), estamos sendo altruístas. Mas para interromper essa história, porque isso daria um artigo enorme, fica uma pergunta: e quem é que consegue fazer isso?

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Sem parar

"It's sort of bittersweet for me because I've made my fifth Olympic team, but I'm going to be away from my daughter for a month and that's really hard emotionally. But I'm happy to be going to Beijing", said Dara Torres, 41.