quinta-feira, 17 de maio de 2012

A voz da Inglaterra

[Resenha originalmente publicada na Revista de História da Biblioteca Nacional]

Nos últimos anos, os produtores de cinema descobriram um filão para colecionar Oscar de melhor intérprete: colocar seus atores para se passar por uma grande figura inglesa do século XX. Começou com “A rainha”, e um retrato da rainha Elizabeth II no conturbado período após a eleição do primeiro-ministro trabalhista Tony Blair e, logo em seguida, a morte da ex-princesa Diana. Prêmio para Helen Mirren, como a monarca que teve que se adaptar ao tempo dos impérios midiáticos para se manter popular em seu próprio reino.

Depois veio “O discurso do rei”, que abordou a ascensão ao poder do pai de Elizabeth, George VI, após a morte de seu pai, George V, e a abdicação do seu irmão que – horror dos horrores, para os ingleses – decidiu se casar com uma mulher divorciada, e – ainda pior – americana. Estatueta para Colin Firth, que criou um rei gago, inseguro, mas deveras corajoso.

Por fim, neste ano, Meryl Streep levou mais uma das estátuas douradas para a estante de casa por interpretar a conservadora ex-primeira-ministra Margaret Tatcher, num filme que mostra o quanto a “Iron lady” era polêmica, principalmente por acreditar numa política aprendida na quitanda do pai, extremamente competitiva, que prioriza apenas o mérito.

Representação tímida
Curiosamente há um personagem que pode ser classificado como uma quase metonímia do século XX, e que ainda não se transformou em material para as produções cinematográficas de grande porte: Winston Churchill. Se fizermos um apanhado das citações ao ex-primeiro-ministro inglês em filmes diversos, via o site de dados IMDb, percebemos que Churchill é uma figura popular, aparecendo em diversas participações especiais, inclusive no próprio “O discurso do rei”, mas raramente como protagonista. Todavia, Churchill foi objeto de uma curiosa obra criada diretamente para a TV em 2009 chamada “Into the storm”, que narra em retrospectiva como foi a primeira das suas passagens pelo famoso endereço de 10 Downing Street – residência dos chefes de governo britânicos.

O filme é uma espécie de continuação da produção “Gathering the storm” de 2002, igualmente direcionada para a televisão, que fala sobre o período logo anterior da Segunda Guerra Mundial, em que Churchill era uma voz isolada contra o crescimento do nazismo na Alemanha. Na verdade, a biografia de Churchill é tão rica e variada, que diversos longas-metragens provavelmente não dariam conta dela.
Filho de uma família nobre, mas sem dinheiro, estudou em colégios internos, longe dos pais. O homem que mais tarde ganharia o prêmio Nobel de literatura, principalmente por conta de suas obras “Memórias da segunda guerra mundial” e “A history of the English-speaking peoples”, foi um aluno medíocre. Para piorar, tinha dificuldade na fala – logo ele, que seria conhecido pelos seus discursos de incentivo aos britânicos. Adulto, entrou nas Forças Armadas e participou das incursões em Cuba, Índia, Sudão, na segunda guerra dos Bôeres. Virou prisioneiro na África do Sul e conseguiu escapar de maneira espetacular, se tornando um herói nacional na Inglaterra. Entrou no parlamento em 1900. Foi na maioria do seu tempo político do partido conservador, mas quando assumiu o governo fez uma coalizão exatamente com os trabalhadores, a segunda força do congresso. Foi figura ativa na Primeira Guerra, sendo o comandante da Marinha. Foi pintor. Historiador. Foi jornalista, correspondente de guerra . Imortalizou o “v” de vitória feito com o indicador e o médio. Representou e incentivou a Inglaterra em um período dos mais complicados... Cada uma dessas facetas merecem ser exploradas em separado. Talvez por isso que em Londres há um museu inteiramente dedicado a ele, o Churchill War Rooms, exatamente no lugar onde ele se reunia com o seu gabinete para discutir os rumos do país, durante os bombardeios em Londres da Segunda Guerra Mundial.
Into the storm
O longa-metragem de 2009 é focado só no primeiro período em que ele assumiu o governo. No início, ouvimos um dos seus discursos mais famosos, pronunciados durante a guerra, quando Churchill anuncia que a Inglaterra deve lutar até o fim, nos mares, montanhas, nas ruas, que os ingleses devem defender a sua ilha a qualquer custo, e que eles nunca devem se render. É de arrepiar.

O filme começa um pouco antes, quando ele é escolhido para assumir o cargo principal, e o acompanha até o fim, quando ele perde a eleição para se manter no poder. Durante a guerra, porém, ele é uma figura indispensável. Enquanto a Europa toda está sendo invadida pelos alemães, os soviéticos se mantinham em stand-by, e os norte-americanos simplesmente ignoravam – no sentido de não se importar com – o que acontecia do outro lado do Atlântico, a Inglaterra era praticamente a única potência contra os nazistas.

A ilha, nesse período, entretanto, parecia ainda menor e mais frágil do que ela é, principalmente quando era comparada aos então aliados EUA e URSS. Churchill parecia, na intimidade, inseguro em suas decisões, cometendo erros, sendo duro e ríspido. Mas jamais perdendo sua estima e, principalmente, o que os ingleses chamam de “wit” e que é mal-traduzida como “perspicácia”. O filme nos brinda com diversas de suas frases famosas e tiradas espirituosas. Por exemplo, quando ele vai aos EUA tentar angariar o apoio de Roosevelt. Churchill recebe o colega norte-americano na banheira em seu quarto de hotel. Ao se levantar para se secar, sua toalha cai. Sem perder a presença de espírito – outra possível tradução para “wit” –, Churchill fala: como você pode ver, não tenho nada a esconder. Roosevelt e Churchill se tornariam amigos, o que não se pode dizer entre o inglês e Stálin.

Fascinado pela guerra
“Into the storm” mostra ainda que Churchill era o homem certo para aquele específico momento. Um político com ligação forte com os militares, inclusive optando por criar uma pasta de defesa durante o conflito, e se autointitulando ministro da defesa. Tinha o dom da palavra, bem comum aos líderes daquele período histórico do amadurescimento do rádio – basta pensar em Hitler, Mussolini ou mesmo em Vargas, ou em como era importante para o rei George VI fazer o seu discurso. Era um homem que lutava pelos ideais conservados pela tradição inglesa, a ponto de defender o império britânico, e reclamar da invasão japonesa em algumas de suas colônias no sudeste asiático. E, principalmente, era um líder fascinado pela guerra. Há uma cena em que Churchill desaparece do gabinete subterrâneo para assistir assombrado e ao mesmo tempo fascinado ao bombardeio de sua cidade pelos alemães.

Ao fim da guerra, pode parecer estranho que o homem conhecido por unir o Reino Unido no seu momento mais crítico em muitos anos tenha perdido a eleição. A Inglaterra e o mundo, porém, tinham mudado. O socialismo crescia, os soviéticos dominavam metade da Europa, e na outra metade os americanos injetavam dinheiro para reconstrução, e para manter o perigo vermelho controlado. A guerra, agora, era fria. As qualidades de Churchill não eram mais indispensáveis. Ele até volta ao poder em fins de 1951, poucos meses antes da morte de George VI e, consequentemente, da subida de Elizabeth II. Mas, então, o filme já era outro.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Subindo aos céus


Essa escultura de mármore - sim, mármore - na St. George's Chapel, no castelo de Windsor, foi, provavelmente, o detalhe que mais me chamou a atenção em toda a cidadezinha. E olha que a concorrência era forte. Essa escultura, retratando a princesa Charlotte, filha do homem que viria a ser George IV, e neta do George III. Ela tinha perdido dois fetos anteriormente, e conseguiu completar essa gravidez, mas o bebê morreu no nascimento. Charlotte morreu no dia seguinte. Por conta disso, e por conta de uma série de mortes de príncipes, quem subiu ao trono foi a famosa rainha Victoria.

De toda forma, a questão histórica importa pouco, para mim, ao tentar justificar o porquê de eu ter ficado tão impressionado com essa escultura. Também é fraca a justificativa do significado da obra: não é difícil descobrir que a moça subindo aos céus amparada a dois anjos é a mesma Charlotte que também está deitada, embaixo. Porém, dois pormenores são os responsáveis por boquiabrir-me. Primeiro, a posição de Charlotte deitada de lado, como quem acabou de lutar contra a morte, e perder, e, principalmente, o detalhe dos dedos da mão direita saindo da mortalha, como se comprovassem que há um corpo ali, que houve vida nesse corpo e que agora ele jaz, pela eternidade. O segundo é o drapeado das roupas das damas que choram a morte de sua princesa. A todo momento que eu olhava para essas ondulações, eu me esquecia que eram feitas de mármore, esse material tão duro. Como se eu acreditasse por completo na "ficção" que o artista Matthew Cotes Wyatt criou no cenotáfio. De repente, porém, eu me lembrava que aquilo era mármore e despertava, assustado, como quem cai de um sonho pesado e ficava, novamente, impressionado. Para logo em seguida, me esquecer disso outra vez e ficar impressionado com a mão e o drapeado, e depois, me assustar novamente. Fiquei nesse jogo entre me esquecer e lembrar durante todo o momento que estive na capela, e até agora, quando eu a olho novamente.

sábado, 12 de maio de 2012

País de emergência

Talvez não seja justo julgar o nosso país de longe, talvez seja um pouco de covardia, como se dissesse que eu não estou lá para ajudar e estou só a reclamar. Todavia, a distância sempre nos traz uma visão mais... hum... total da questão, além de poder fazer comparações menos rasas com esse segundo país que você vive.

De qualquer forma, a melhor justificativa para esse texto deve ser, provavelmente, um estalo que tive ontem, em conjunto, sobre uma das características mais marcantes do Brasil, para mim, hoje em dia. Não é nenhuma grande descoberta, como não é surpresa em se tratando de mim. É mais uma comprovação de uma conclusão que eu já havia lido em algum outro lugar - não me lembro onde - elevada a outras potências, que chega, após o fim do raciocínio, ao óbvio.

Pois bem. A frase lida [foi em "The Economist"? Não sei...] dizia que o sistema político brasileiro vivia sempre em crises. Isso, no plural. Nossas manchetes pulavam de escândalo em denúncia, apenas anunciando o problema e jamais se aprofundando em resolvê-lo. Quando ninguém mais lê, clica, assiste, se procura o próximo inimigo do reino para substituí-lo. Basta abrir o jornal em um dia qualquer, aleatório, para perceber que as manchetes catastróficas se sucedem. De certa forma, é surpreendente que ainda exista o Brasil.

Seria apenas um problema da qualidade jornalística se o caso se resumisse ao campo midiático. Entretanto, além de isso não ser possível, já que a mídia faz parte da sociedade, e, de alguma forma, ou de várias formas, reflete e representa o país que vivemos, esse problema é, como dito, um sintoma de uma doença que é comum em várias - se não todas - as facetas da sociedade brasileira. Somos o país da emergência.

Ler uma matéria que mostra como um caso não se resolveu, ou como demora um processo para se acabar é chato. Demanda trabalho. Requer atenção. Exige concentração. Chato. O processo normal é simples: eu leio a reportagem falando do novo desvio de dinheiro ou de como um poderoso chefão era influente na política nacional [quando leio], me revolto, solto meia dúzia de palavrões, me sinto mais aliviado, e vou para a praia porque o sol está forte lá fora. Esse blablablá luga-comum, chavão e clichê, ao mesmo tempo, que se repete diariamente.

Reparem, não sou contra a alegria, nem a descontração. Sou sempre a favor da, como chamou Machado, "filosofia ridente". Emergência, nesse caso, é um sinônimo, com sua significação alterada e reforçada, para o mais que conhecido "jeitinho brasileiro". Assim como o jeitinho tem a sua faceta positiva, como o lado da improvisação, por exemplo, a emergência nem é totalmente negativa - se não, tudo seria bem mais fácil. Somos uma nação que trabalha muito bem no caos, sem uma organização pré-estabelecida.

Um amigo meu sempre dá o mesmo exemplo: basta ver os preparativos nos barracões para a produção das escolas de samba para se ter a certeza que o carnaval nesse ano, infelizmente, não sairá. Como se sabe, essa profecia nunca se concretizou. Esse é um bom exemplo, a propósito, para se pensar que a organização, o não-trabalhar-com-o-prazo-esgotado tem as suas vantagens. Mesmo que os sambas tenham se transformado numa massaroca repetitiva, que os enredos tenham virado propagandas descaradas, e que ainda tenhamos que enfrentar diversos problemas históricos, já ouvi de alguns bambas que, com a cidade do samba, foram criados carnavais mais grandiosos que os que eram produzidos anteriormente [não estou julgando qualidade, por favor, mas quantidade].

A emergência tem o seu custo, claro. Caro. O mais caro possível. O mais óbvio exemplo foi mostrado naquela matéria do "Fantástico" sobre fraudes em licitações [o que aconteceu, aliás, com aquelas empresas? Como está esse processo?]. Uma das maneiras mais fácil de burlar o sistema de compras nos órgãos oficiais é deixar chegar o estoque de um determinado produto em níveis baixíssimos e pedir verba para comprá-lo em regime de... emergência. Como ouvi ontem, é nesse momento que se compra papel higiênico e um apartamento na Atlântica, ao mesmo tempo. Aqui cabe o bordão imortalizado nas redes sociais por quem chega ao Galeão nos dias de hoje: "imagina nas Olimpíadas..."

Provavelmente não somos os país mais emergencial do mundo, haverá sempre piores. Provavelmente somos a classe média nessa categoria, o que não impede de almejar melhorarmos, até mesmo, pensando altruisticamente, para melhorar a média mundial.

Não sugiro também a perda da espontaneidade, nem o fim da criatividade, quiçá acabar com o caos, tão característico nosso. Mas não posso acreditar que trabalhar fora do regime de emergência possa tolher essa nossa "vantagem competitiva". Além disso, se queremos viver nesse processo, deveríamos então achar soluções para que não continuemos a nos expor ao perigo por estarmos sempre colocando esparadrapo na janela despedaçada. Porque um dia ela vai quebrar mesmo.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Sotaques

Em um intervalo de poucas semanas, eu ouvi de uma brasileira que mora na Alemanha e de um espanhol que mora em Londres a mesma frase: eu tenho orgulho do meu sotaque. Curioso, isso, para mim. O assunto é recorrente nesse semiabandonado espaço, como eu pude perceber aqui, aqui e aqui. Eu gosto de línguas, não tenho como esconder isso.

Chega um momento que a linguagem não é mais algo racional, vira orgânico, parte do ambiente. Para passar para essa nova fase deve-se antes, entretanto, enfrentar no fim da anterior o monstro da falta de fluidez e da ausência de passado em comum, que nos municiaria com balas de cultura anterior, com granadas de comportamentos e informações afins, com bombas de efeito educacional. Esse monstro costuma sempre aparecer nas fases seguintes, mas, então, você já vai ter mais confiança em si mesmo para respondê-lo, já que já o enfrentou, com outra armadura, anteriormente.

Porém, o sotaque... o acento é algo que nunca - ou quase nunca - abandona o deslocado. É capaz de passar séculos aqui e continuar errando pronuncias simples, ou ficando inseguro frente a uma palavra desconhecida. Ou simplesmente, denunciando sua origem com um simples "yes, sir".

Eu nunca gostei de ter um sotaque. No Rio, me perguntam de onde sou - digo, agora, mais confiante, e em tom de pilhéria, que sou de Nova Iguaçu, o que é uma meia verdade [não pelo fato de eu ter nascido lá, porque eu nasci, mas porque isso não quer dizer absolutamente nada, não responde à pergunta que me foi feita].

Quando viajava para fora do Rio, em pouco tempo, pegava o sotaque desses lugares. Era fácil me adaptar. Não queria ser rotulado como alguém do Rio. Ou, fora do país, como alguém do Brasil. Principalmente porque não sou nada do que se espera desses lugares, que, internacionalmente, muitas vezes se confundem.

A identidade carioca e brasileira - o que o outro vê normalmente sobre o ser que nasce e vive nessas terras é geralmente meio caricata, como qualquer identidade, aliás. Cristalizou-se uma série de estereótipos do apaixonado por futebol, louco por carnaval e samba, que ama a praia e o calor, e está sempre acriticamente feliz e sorrindo. Daí a vontade de querer não ser rotulado como brasileiro ou carioca. Costumo sempre acrescentar à informação de que sou brasileiro, a que sou um "péssimo brasileiro".

Recentemente eu descobri que sei imitar razoavelmente bem o sotaque do inglês mais pernóstico. E isso, curiosamente, me passou uma segurança maior com o meu próprio acento. Saber que a mais esnobe das maneiras de falar também pode ser ridicularizada mostra o óbvio: não existe qualquer hierarquia entre as falas. Mesmo que eles tenham mais vocabulário, mais recursos, mais autoridade para se expressar, mais justificativas, não quer dizer que você não pode, também, tentar, cheio de erros, confundindo tempos verbais, trocando palavras, se esquecendo como fala o "th", também --tentar-- se comunicar. É, como dizem aqui, "fair enough".

domingo, 6 de maio de 2012

'Wit' e o inglês

Uma das características mais marcantes que eu já mencionei [ou deveria ter mencionado] sobre o inglês é a sua habilidade com as palavras. Talvez esteja sofrendo da síndrome daqueles que descobrem que não sabem nada de uma língua que se julgava dominada e ficam admirados com as possibilidades de flexionar um idioma que é aparentemente simples, e pode ser utilizado com um gama pequena de palavras. Mas, mesmo nessas circunstâncias, há uma característica constante, independente da complexidade do discurso, e que tem um palavra bastante utilizada aqui em textos e conversas para exemplificá-la, e que sua tradução, como poderia ser óbvio, não transparece todo o seu significado: wit.

"Perspicácia" não é a mesma coisa. Em primeiro lugar, porque não usamos "perspicácia" com a frequência que eles usam. Para eles, "wit" é algo corriqueiro, para nós, "perspicácia" é uma palavra que quase exige um esforço para ser falada, seja pela sua estranheza, pela junção desse "r" com o "s", tão incomum, seja porque não usamos essa característica com a mesma regularidade. De toda forma, os ingleses parecem ter o dom da palavra, ou, ao menos, "wit" o suficiente para se expressar com inteligência e rapidez, ou complexidade e profundidade, nas suas conversas mais triviais.

Claro que nem todos os ingleses têm essa "presença de espírito" [uma outra possibilidade de tradução], muito menos são tão irônicos [uma das principais caraterísticas do "wit"] a todo momento. Mas é um traço da identidade inglesa, assim como, sei lá, a extrema facilidade de comunicação dos brasileiros. Nem quer dizer que outras pessoas não-inglesas não possam ter essa característica. Me lembro bem de um menino que nadou comigo há muitos anos chamado Alberto que sempre tinha a frase final de todas as conversas. Sempre inteligente, sempre definidora, sempre seguida de gargalhadas - dos que o entendiam. Geralmente ele ficava quieto, escutando enquanto nós falávamos todos os absurdos do mundo, e vinha, ao fim, soltar sua frase-torpedo que afundava nossa conversa-transatlântica.

Saber falar inglês é mais que aprender as palavras, a gramática, criar frases e responder "yes, please" ou "no, thank you" a todas perguntas. É estar consciente de uma série de códigos culturais que não se aprende em escolas fechadas, mas conversando, cometendo erros infantis [para eles], passando por algumas vergonhas. É saber que a língua esteja incorporada, de uma maneira automática, e, principalmente, com "sagacidade".