sábado, 31 de março de 2012

The new gatekeepers



O ativista americano Eli Pariser critica a falta de múltiplas vozes que a internet, depois de nos prometer a liberdade de escolha, trouxe. Vale bastante a pena ver para saber o quanto o processo de decisões são influenciadas pelos sites que costumamos a frequentar.

ps. aqui ele dá dicas do que fazer para se manter mais livres na internet.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Restaurantes secretos em Londres

[Reportagem publicada no caderno "Ela", d'"O Globo", no fim do ano passado.]

A descoberta dos restaurante secretos

Pouco antes das 20h de uma sexta-feira, um grupo de pessoas vestindo roupas espalhafatosas, perucas, trajes judeus e carregando bebidas à tira-colo se dirige em sigilo para uma casa aparentemente comum de uma pacata rua de Kilburn, no noroeste de Londres. Tocam a campainha e são recebidos por um senhor usando quipá, e carregando nos braços uma criança. Estão indo celebrar o shabat, mas um shabat diferente, na versão Barbra Streisand, do Underground Restaurant.

Misture a experiência de ir a um restaurante, e todo o requinte de pratos sofisticados, com o conforto e a informalidade de um jantar na casa de conhecidos. Por fim, acrescente uma pitada de mistério – só recebe as coordenadas de como chegar lá quem comprar os ingressos, no valor de £50, pela internet – e você pode ter um pouco do sabor do que é o Underground. Mas todo esse processo não afasta os convivas, pelo contrário. Na noite em questão, em pouco tempo os desconhecidos se tornaram melhores amigos, tirando fotos juntos, bebendo dos vinhos uns dos outros, cantando junto as músicas de Streisand. O clima é de festa. 

Rodgers, no salão de sua casa, recebendo
estranhos que viram amigos em instantes

"A coisa que mais me surpreendeu quando eu comecei foi que as pessoas queriam conhecer outras pessoas. Então, eu comecei a fazer grandes mesas misturadas. Você não pode reservar uma mesa para dois, por exemplo", conta Kerstin Rodgers, que comanda a cozinha, a casa, e todos os eventos sob a marca Underground, além de ser uma grande incentivadora desse tipo de restaurante.

Nessa oportunidade, o menu incluía bastante da culinária judia nova-iorquina com influência eslava. Começou com vinho kidush e chalá, e a benção do rabino. Passou pela entrada com salmão defumado, rollmops, vários tipos de picles e bagels, além de borche para os vegetarianos. Adentrou o principal com tcholent e ovos hamine. Teve fôlego para a sobremesa com cheesecake de Nova York, quíguel de canela, matzá de chocolate branco, e terminou com a reclamação do vizinho pelo altos brados dos convidados que imitavam a diva.

Com uma frequência incerta, mas em torno de dois eventos por mês, ela recebe desconhecidos na sala de sua casa vitoriana, e os alimenta com cinco a seis cursos diferentes de um jantar temático e muito bom-humor. Já houve homenagens a Elvis Presley, um evento começando a meia-noite só com alimentos que fossem pretos, uma noite temática das arábias, e outro com um menu só pratos que tivessem flores. 

A origem do apelido de Rogers
Fora os jantares, Rodgers também organiza chás, o secret garden clubs – onde há workshops culináros – e, mais esporadicamente, o Underground Market. Neste é possível encontrar alimentos direto de pequenos fazendeiros, produtos artesanais e barracas de comidas que fogem do lugar-comum de outras feirinhas tradicionais, além de ser a oportunidade para escutar música intimista, em um lugar completamente diferente dos endereços dos mercados mais conhecidos. Tudo mantendo a mesma aura de mistério e quase sociedade secreta. 

Nenhum desses eventos, contudo, é exatamente legal. Apesar de Rodgers se preocupar constantemente com higiene, segurança e não vender álcool – que é bastante controlado pela legislação inglesa – ela não tem qualquer licença para funcionar. Em seu livro “SupperClub, recipes and notes from the Underground Restaurant” [algo como “Clube da refeição, receitas e notas do restaurante Underground”], ela conta que instrui as pessoas a cantar parabéns caso sejam interceptadas pela polícia no meio da noite. De qualquer forma, ela diz já ter recebido agentes da lei entre os seus convidados, sem qualquer sobressalto. Os maiores problemas foram com o metrô de Londres, conhecido também como Underground, que quis processá-la por usar tal palavra na sua marca. Ou com a Warner Bros, que a ameaçou por conta de uma noite temática sobre Harry Potter.

Mais conhecida na internet como Ms. Marmitelover, ela começou a trabalhar como fotógrafa para publicações como a “NME”, mas afirma que sempre se via cozinhando onde quer que estivesse, para quantas pessoas fossem. Inclusive em manifestações antiglobalização nas reuniões do antigo G-8, cafés vegan cooperativos, e até em uma conferência em Belgrado onde ela diz ter servido 450 “sindicalistas sérvios, punks alemães e filósofos franceses”. 

Convidados vestidos a caráter para a homenagem à diva

Ela abriu o seu restaurante-secreto em 2009, no período de crise da Europa, após ter experimentado os “paladares”, em Cuba – que seguem um esquema parecido – e ouvir sobre as experiências com os “supperclubs” norte-americanos e os de Buenos Aires. Quase três anos depois do início do seu empreendimento, essa senhora que ama Marmite (uma pasta salgada à base de extrato de levedura de cerveja, muito usado na Inglaterra no pão do café-da-manhã) foi escolhida como uma das personalidades mais importantes de Londres por um jornal local.

Rodgers talvez seja a mais conhecida das chefs caseiras, mas não é a única, nem mesmo foi a pioneira dessa onda em Londres. Este posto cabe a Horton Jupiter, com o seu Secret Ingredient, que abriu três semanas antes do dela, em janeiro de 2009, com Rodgers presente e já anunciando o seu empreendimento. Além deles, há ainda vários casos e formatos de restaurantes secretos. Desde o chique e caro comandado por Jo Wood, ex-mulher do Rolling Stone Ron Wood, até o de grandes nomes da cozinha, como o português Nuno Mendes, que já trabalhou com Ferran Adrià no El Bulli, e hoje testa suas invenções no Loft, para aplicar em seu estrelado restaurante, o Viajante. A tradição teria começado ainda na década de 1930, onde se conta sobre casos de clubes de jantares experimentais em Londres no prédio modernista Isokon, onde a escritora Agatha Christie e o escultor Henry Moore seriam frequentes.

Aliás, o Brasil faz parte do passado em comum dos dois pioneiros dessa nova onda de restaurantes secretos. Eles se conheceram em uma “banda de samba” – como ela denomina – chamada Rythyms of resistance. Rodgers conta que adora música brasileira, já visitou o país, e ficou encantada com o carnaval do Rio, de Ouro Preto, e com as frutas tropicais. Já a o nosso mais típico prato...

“Comida brasileira? Hum, não gostei. Especialmente para uma pessoa que não come carne. Feijoada e aquela farinha que quebra seus dentes não são para mim.”

quarta-feira, 28 de março de 2012

Clubes privados em Londres

A Inglaterra - e Londres não poderia ser diferente - é um país baseado em uma aristocracia. Algumas pessoas são mais que outras, em algum aspecto, simplesmente porque nasceram em determinada família. Isso não quer dizer, porém, que a monarquia, em si, seja menos democrática que a república. Como já bem disse um amigo meu -dos que são mais inteligentes que eu- se pegarmos os países europeus que ainda são monarquias e compararmos com o restante do planeta, eles vão parecer infinitamente mais democráticos. Pense apenas que a maioria das monarquias aqui por esses lados fica ali no lado nórdico.

De toda forma, o monarca nesses países -ou ao menos aqui no Reino Unido-, apesar de toda a pompa, sempre se comporta como um servo dos seus súditos -como, aliás, deveria se comportar qualquer autoridade pública, que ganha o dinheiro do cidadão comum. Aqui na Inglaterra, ainda há a diferença que, segundo ouvi, a família real não recebe um real dos cofres públicos. É autossustentável. Ou seja, é só bônus sem ônus [generalizado, ok, generalizando...].

De qualquer forma, essa tradição elitista é sim bastante comum na Inglaterra -mesmo na cosmopolita Londres. Acho que a tal "fleugma" inglesa, tão propagada, tem uma de suas possíveis origens daí. O inglês se acha tão superior que não precisa se misturar com a plebe. E, quando se mistura, tem a certeza absoluta de que, por conta de sua superioridade nata, não vai ser contaminado.

Mesmo assim, é melhor evitar. Sabe como é, né. Vai que... Assim, Londres -e, eu imagino, toda a Inglaterra, e também, por consequência, os países colonizados por ingleses*- é lotada de clubes privados. "Clubes privados", a expressão, me lembra apenas uma coisa: "Eyes wide shut" e o seu baile de máscaras.

Porém, os clubes privados não são iguais entre si, nem necessariamente iguais à sequência final do derradeiro filme de Kubrick. Ou não são apenas. Aqui na minha esquina, há um, o Lyndhurst club, que se autointitula, "The Largest Japanese Gentleman's Nightclub in London" onde é possível tomar um uísque Macallan 25 anos por apenas £ 450. Ok, é caro. Melhor ficar mesmo com Jack Daniels, por £ 100. É melhor deixar claro, todavia, que eu nunca vi ninguém usando máscara nas ruas. Eles anunciam, contudo, karaokês lá dentro, com mulheres "selecionadas" [se o googletranslate funcionou direito], claro.

Outro exemplo: está rolando uma exposição com as fotos do clube da Playboy, aqui de Londres, que se vende como um espaço para se relaxar, tomar uma bebida, comer algo, conversar com os amigos, fumar um charuto e jogar. Ou seja, nada diferente até o fato de as crupiês serem coelhinhas da Playboy vestidas a caráter [veja acima].

A foto de divulgação da exposição, como se vê abaixo, é a dos Beatles com o Maharishi Mahesh Yogi e um grupo de pessoas apenas conversando. Além desse grupinho intrépido, a exposição chamada apropriadamente de "Sorry You Missed the 60’s" conta com fotos de Grace Kelly [não é um espaço só para meninos, veja só], Winston Churchill e o escritor Somerset Maugham [que devia estar bem velhinho, porque morreu aos 91 anos em 1965].

Confere o parágrafo anterior, por favor, para saber o que acontece na foto
Fora isso, "The London Magazine", que, por algum acaso, nós recebemos de graça, vem com uma reportagem de capa sobre os novos clubes só para sócios de Londres. Descreve oito diferentes espaços que podem custar de meros £ 40 por mês, no caso do Hub King's Cross, que é quase um lugar para se trabalhar, à bagatela de £ 20.000, de joias, mais a anuidade de £ 1.000, no 5 Hertford Street, que fica atrás da embaixada da Arábia Saudita [não deve ser uma coincidência] e promete privacidade com P maiúsculo. Não deve ser, mesmo, uma coincidência.

Um dos mais... hum... interessantes é "The Arts Club", que diz ter sido fundado em 1863, e ter tido entre os seus participantes gente como Charles Dickens e Rodin, além de hoje em dia ter como convivas Gwyneth Paltrow, Stella McCartney e, como DJ, Mark Ronson. Fazer parte é mole. Basta pagar £ 1,5 mil, para se juntar, depois, £ 1,5 mil por ano. Ah, e esperar a fila, que demora hoje cerca de dois anos.

Eu, seguidor da única vertente do Marxismo possível, o groucho-marxismo, costumo torcer um pouco o meu nariz para esses clubes privados, exatamente por serem privados, portanto, de certa forma, aristocráticos, se dando ao direito de não permitir algumas pessoas de entrar e outras sim, baseadas em critérios para lá de controversos. Sigo a máxima do sábio Groucho de que "I don't care to belong to a club that accepts people like me as members". Mas a História, essa senhora irônica, fez mais uma das suas. É possível ser sócio do Groucho Club, especializado em gente de mídia, no Soho.

* No "Midnight's Children", Rushdie inventa um clube em Mumbai onde os indianos poderiam se comportar luxuriamente como ocidentais, em completo sigilo e escuridão. Porém, a cada semana, um dos participantes seria escolhido por uma roleta e revelado para os demais, com o intuito de aumentar o sentimento de aventura dos participantes.  

terça-feira, 27 de março de 2012

Igreja Universal tenta transformar cinema histórico de Londres em templo

O cinema EMD Walthamstow, no nordeste de Londres, tem um passado incomparável. Foi construído em Art déco em 1887, oito anos antes dos irmãos Lumière fazerem sua primeira projeção pública, para ser um espaço de dança, shows e peças. Depois de já transformado para os filmes, na década de 1930, foi o provável cinema preferido do adolescente Alfred Hitchcok, que crescia num bairro vizinho. Mais tarde, serviu de palco para bandas e cantores tão diferentes quanto relevantes como Beatles, Jerry Lee Lewis, Rolling Stones, Kinks, Little Richard, Who, Chuck Berry e Buddy Holly.

Já o seu presente, pode ser, sim, comparado com, ao menos, outros dois cinemas de Londres e inúmeros outros no Rio e no Brasil: pertence à Igreja Universal do Reino de Deus e periga virar o espaço para outro tipo de veneração. Desde 2003, quando a igreja, conhecida na Inglaterra pelo acrônimo em inglês UCKG, comprou o espaço, ela tenta mudar legalmente o uso do prédio e ter autorização para reformá-lo. Desde então, seus pedidos foram negados pelos representantes da prefeitura. Mais uma decisão está programada para sair em junho. Mas, caso perca, a igreja poderá iniciar novamente todo o processo.

Tapumes e andaimes escondem a fachada do cinema, que nos áureos tempos era assim.

- Como eles são os donos do imóvel, eles têm o direito de fazer quantos pedidos quiserem –, explica Gerri Ellis, um dos organizadores do movimento Save Walthamsow Cinema, que começou exatamente em 2003, para salvar o único cinema e impedir que Walthamsow continue com o terrível título de único bairro em Londres sem qualquer espaço para a projeção de filmes. – Nos primeiros anos, houve apenas uma pequena campanha, porém com o passar do tempo, e com esse prédio tristemente abandonado na rua principal, mas ainda assim lindo, as pessoas começaram a se perguntar por que alguma coisa não estava sendo feita.

A comunidade parece apoiar o grupo que quer salvar o cinema
A campanha ganhou o apoio de gente de renome, como Mick Jagger, o filósofo pop Alain de Botton e a deputada Stella Creasy. A parlamentar argumenta, por exemplo, que o prédio é o último cinema construído pelo designer russo Theodore Komisarjevsky em todo o Reino Unido que ainda não foi demolido ou transformado em bingo, supermercado ou academia. Mais recentemente o rapper Professor Green entrou na batalha ao dizer a um jornal local que Londres estava “perdendo muitos cinemas” e que esse específico era um dos mais bonitos. Entre essas perdas mencionadas por Green estão dois outros imóveis, também comprados pela Igreja Universal e transformados em templos, o Rainbow Theatre, no bairro vizinho de Finsbury Park, e The National, no noroeste de Londres, em Kilburn Park.

O imponente Rainbow, que na época da sua construção, nos anos 1930, era um dos maiores cinemas do mundo, é uma espécie de sede da Igreja Universal em Londres. Ficam lá os bispos e pastores que, por exemplo, tomam conta das obras de manutenção do Walthamstow. Confrontados pessoalmente sobre o assunto, eles disseram que se posicionariam por email. Mas apesar do contato com a relações públicas da instituição, as perguntas enviadas não foram respondidas.

Operário que quase não falou
 porque estava com medo
O prédio onde o jovem Hitchcock pode ter visto seus primeiros filmes vive hoje atrás de andaimes, ostenta uma árvore não planejada no telhado e tem um grupo de operários portugueses e romenos que tentam evitar o pior. Um desses operários, que não quis se identificar, porque, segundo ele, tinha sido instruído por pessoas da igreja a jamais conversar com jornalistas, falou que, quando recebeu encomendas dias antes e eles tiveram que abrir a garagem, o lugar ficou cheio de curiosos.

- Eu pedi às pessoas para saírem. O departamento de segurança de obras de Londres não deixa ninguém que não seja ligado diretamente à reforma ficar lá dentro – explicou, antes de insistir que não podia conversar muito porque tinha medo de perder o emprego. – Um dia, um senhor já idoso que mora por aqui veio me dizer que desde que inventaram a TV, esse cinema nunca mais foi o mesmo. Eu concordo com ele. Já não é mais possível existir cinemas desse estilo.

Não é o que o pessoal da campanha para salvar o espaço acha. No site criado para atualizar informações sobre a ação, eles enumeram diversos casos de ressurreição e sucesso de cinemas antigos, grandes e, aparentemente, obsoletos. Para que o EMD Walthamstow tenha esse destino, eles estão arrecadando dinheiro para tentar recomprar o cinema. Basta saber se a Igreja vai querer revender.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Dobra na história

Alguns amigos meus, mais inteligentes do que eu, costumam ralhar ante à ladainha que ouvíamos na faculdade sobre pós-modernidade. Por um lado, eles estão completamente corretos, houve - ou havia - uma supervalorização do termo e de tudo o que o envolvia. Porém estou tendendo a discordar com relação ao fato de que não estaríamos vivemos em uma era em que ocorre uma nova dobra no que ficou convencionado chamar História. Como vamos chamar isso, ainda não sei, mas é possível enumerar algumas evidências para sustentar o argumento.

Já falei sobre como a arte mudou o seu paradigma prioritário, que norteou a produção desde o fim do século xviii. Saiu da busca quase santificada pelo "novo", para o diálogo, digamos, remixado, com a tradição.

Outra mudança significativa e evidente se dá em relação ao nascimento e amadurecimento do ambiente virtual. Isso é praticamente irrefutável.

Por fim, no âmbito político-diplomático-nacional, podemos ver o deslocamento, ou ao menos a pulverização, do poder. Se desde o fim da bipolaridade da guerra fria, havia um único modelo - e bipolaridade essa que foi um ponto fora da curva de toda a tradição eurocentrista que vigora, no mínimo, desde o século xvi, com mais ou menos intensidade - porque, o que são os EUA, se não uma extensão do pensamento europeu? Nesse novo tempo, há o aparecimento de um novo player que durante milênios construiu uma das civilizações mais sólidas que se tem registro.

De toda forma, um desses meus amigos mais inteligentes que eu -praticamente todos são- costuma dizer que esse pensamento de "uma nova era" é comum a todos os homens, em todos os períodos históricos -eu acrescentaria, desde o famoso fim do século xviii, que iniciou a ganância pelo "novo".

Eu acrescentaria ainda que, como em outros aspectos envolvendo o conceito de tempo, este também é uma questão de crença. Se você acredita, encontra as justificativas. Se não, não enxerga obviedades.