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quarta-feira, 14 de maio de 2014

O apoio à greve dos rodoviários

É muito difícil ter simpatia pela greve dos rodoviários no Rio. Parece que é um trabalho para masoquistas: como se fôssemos a favor daqueles que infligem o desconforto diariamente contra nós. E quem pegou - quem conseguiu pegar - um ônibus nesses dias de paralisação teve maior dificuldade de ser favorável aos rodoviários. Os motoristas pareciam ainda mais carregados nas piores características associadas ao seu trabalho. Talvez por estarem sem fiscais e sem uniformes, eles corriam ainda mais desesperadamente, só paravam fora do ponto, faziam manobras mais bruscas, gritavam e discutiam mais com os passageiros. Mas, se desejamos uma sociedade mais igual, sem tantos desníveis entre a elite e as classes abaixo, precisamos nos esforçar por alcançarmos essa simpatia.

Motorista de ônibus talvez seja a categoria mais cotidianamente odiada pela grande maioria das pessoas. Políticos são muito ausentes das questões diárias para serem lembrados com tanta frequência, e ainda despertam um certo tipo de reverência, principalmente pelos menos acostumados a celebridades. Policiais são odiados com mais frequência que políticos e com muito mais intensidade que motoristas de ônibus, mas ainda acho que a questão com os motoristas de ônibus é mais geral, atingindo a todos, quase sem exceção [o ex-governador Cabral, que anda de helicóptero, deve pensar que coletivo é alcateia de lobos].

Mesmo que a paralisação esteja, em tese, quebrando determinações judiciais, ou passando por cima do sindicato organizado, ainda assim, ainda dessa maneira, acredito que devemos ter alguma simpatia com a greve. Principalmente porque acredito que a lei deve correr atrás do tempo passado. Há um fato incontornável: os motoristas e trocadores estão em greve. Condená-los só fará a situação piorar, o abismo social tende a aumentar. O direito, e a Justiça como executora do direito, deveria tentar incluir os homens, não o inverso. Não é na canetada de um juiz, não deveria ser no medo, que uma greve deveria acabar.

Outro problema que os rodoviários enfrentam é uma suposta manipulação política de profissionais dos cargos públicos eletivos. Como se motoristas e cobradores tivessem se transformado em massa de manobra de políticos como Garotinho e / ou congêneres. Ou, como dizem, que a manifestação fosse "política". Há um erro de entendimento aí, na minha concepção.

Sempre nos esquecemos que mesmo palavras fortes como "política" ou "democracia" são, antes de fortes, palavras. Assim carrega muito das cargas que pudermos lhes impor. No caso em questão, a reclamação é pelo uso mais mesquinho da política, o das tramoias e maracutaias. Os rodoviários estariam, com a sua paralisação, incentivando a volta de Garotinho ao poder estadual. Retiramos, porém, desta forma, a capacidade de eles agirem por si só, sem um cérebro por trás. Seriam apenas bonecos, cujo títere mexeria as cordas para os fazer andar. Não sei se consigo acreditar 100% nisso.

Além disso, mesmo que eles estejam apoiando Garotinho, nos esquecemos que vivemos numa democracia e que eles têm o direito de apoiar quem eles quiserem. E, novamente, estaríamos pensando que, com essa atitude, os eleitores ficariam sensibilizados e votariam contra o consórcio Paes-Cabral-Pezão. E outra vez tirando a autonomia dos eleitores. Não sei...

Também não sou favorável do apoio baseado num argumento de pena. Eles ganham pouco, trabalham em situações completamente desfavoráveis, portanto têm mais que o direito de reivindicar melhores condições. E nós, numa posição de superioridade, autorizaríamos um pequeno sacrifício próprio para que eles possam melhorar de vida. Não é por aí.

Eu começo a tentar responder a questão usando dois argumentos. Primeiro: Ao se posicionar contra o cartel das empresas de ônibus eles estão atacando os principais culpados do problema que mais cotidianamente afeta a população do Rio. Pode-se pensar que a tática foi errada - ouvi de um amigo que a melhor proposta seria eles circularem com as roletas abertas, sem cobrar nada. Talvez fosse, realmente, mais efetivo, mas não sou eu quem decide a maneira como eles protestam, sou apenas um usuário do transporte que quer prestar solidariedade.

Perfeita ou imperfeitamente, eles estão atacando o centro dessa máfia, que atinge a todos nós. Dão um prejuízo imenso para esses empresários e, com a outra mão, demonstram a completa falência do transporte público sem alternativas, e totalmente dependente de um modelo incompetente. A atitude deles mostra como somos trouxas de aceitar como meio de transporte ônibus, controlados por empresários gananciosos que, segundo boatos fortíssimos, têm ligações escusas com as esferas do poder.

O segundo motivo é mais genérico, mas não menos importante: todo mundo tem o direito à greve. Aliás, com a chegada da Copa, vemos como esse direito está sendo exercido cada vez mais. A greve pode ser justa ou injusta, dependendo de que lado a enxergamos. Pode ser mais ou menos efetiva. Pode ser uma paralisação ou manifestações que comuniquem a insatisfação. Mas ninguém pode retirar esse direito da reclamação. Se houve um resultado claramente positivo das chamadas jornadas de junho foi a política, no sentido do viver a rua da cidade, voltar à pauta de todo mundo. O caminhar ainda é bastante claudicante, mas se há um jeito de nos encaminhar para um melhor entendimento ele passa por esse movimento.

Resumidamente poderíamos citar a frase erroneamente associada a Voltaire: eu discordo do que você diz, mas vou defender até a morte seu direito de o continuar dizendo. Não preciso concordar com os hábitos perniciosos da categoria para defender o seu direito de buscar os seus direitos. Porque eles somos nós, e nós somos eles.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Elegância tricolor

Pesquisando para uma pauta que envolve, de alguma forma, futebol, acabei me deparando com a informação de que todos os outros tricolores mais assíduos que eu já sabem: o Fluminense pode ser considerado, sim, campeão mundial. Basta levarmos em conta o mesmo critério dado a outros clubes. O Palmeiras, por exemplo. Em 2007, time paulista foi considerado campeão do mundo de 1951 pela Fifa, por ter vencido a Copa Rio. O Fluminense venceu esse mesmo campeonato no ano seguinte.

Na mesma reportagem, já havia a insinuação de que o time das Laranjeiras iria entrar com o processo na federação internacional para ter esse título justamente homologado. Também é dito que o recurso palmeirense demorou seis anos para ser julgado válido, o que nos leva a crer que, caso se continue nessa mesma velocidade, o Fluminense pode [e deve] ser bicampeão mundial em 2013.

Torcedores do Flu registraram o tetra nas
Laranjeiras (Foto: André Casado / Globoesporte.com)
Por que não se fala tanto disso? Tenho uma hipótese. Porque o Fluminense teve mais com o que se preocupar desde então. A partir de 2007, o Fluminense venceu a Copa do Brasil, ganhou dois campeonatos brasileiros e foi terceiro colocado no outro, foi vice na Libertadores, na Sul-Americanca, e ainda levou um carioca de lambuja. Não conseguiu se concentrar nos processos burocráticos extra-campo.

E é exatamente quando isso acontece, quando se preocupa apenas com o que acontece dentro das quatro linhas, que o Fluminense enche os tricolores das maiores glórias. Não é quando os dirigentes viram a mesa, quando estouram champanhe, quando evitam passar pela segunda divisão para voltar à primeira. Mesmo que os demais times também tenham máculas em suas histórias, o Fluminense não poderia ter se apequenado. Não o Fluminense. Não o Fluminense, que fascina pela sua disciplina.

Cair para uma divisão inferior acontece - pode acontecer - com qualquer clube. Faz parte das regras do futebol e, mesmo que isso eventualmente não tenha acontecido com todos, é uma questão de tempo, imagino, para que ocorra. Mas a virada de mesa foi uma vergonha para os tricolores.

Ser tricolor não me dá o direito de ser cego, de torcer pelo time sem considerar todos os seus problemas. Ser crítico faz parte do ato de ser Fluminense. Assim como faz parte, por exemplo, a elegância. Todo tricolor, mesmo o mais precário, o mais pobre, o mais sem dentes, tem essa característica. Se eu não me engano, Nelson já tinha falado sobre isso. Nelson, provavelmente o maior tricolor de todos os tempos.

Nossa elegância independe de qualquer origem e da classe social. Costumo dizer que o homem mais elegante que eu já vi foi negro, favelado, pobre e sambista: Cartola. Era um homem que mesmo sentado no chão de poeira mantinha uma fleugma, uma postura altiva. Que tinha uma fidalguia, mesmo sem ser filho de um ou outro sobrenome importante. Não por acaso, era tricolor. A lista dos elegantes tricolores pode continuar com Fernanda Montenegro, Chico Buarque, Gilberto Gil, e seguir muito adiante. Você vê em todos eles essa confiança em si, esse respirar fundo, essa certeza pessoal, essa calma, essa superioridade.

Mas não é um sentimento de superioridade em relação ao outro, é uma superioridade isolada, individual, sem precisar de uma outra pessoa para se medir. O tricolor seria superior, seria elegante mesmo numa ilha deserta. Não é algo que se aprende, nem um fru-fruzismo. Não é frescura. É requinte, distinção, esmero, graça. Ou você nasce com a elegância ou não.

Não é algo simples de se definir com palavras. É sempre ter a cabeça erguida, mesmo nos momentos mais duros, em paz, em harmonia. Elegância é saber lutar, quando a esperança, a esperança parece desaparecer, e saber que dali, do fundo do poço se pode encontrar as forças para fazer uma virada, mas não uma virada de mesa. É lutar com vigor, raça, com garra, descobrir um time de guerreiros, quando se tem ínfimas possibilidades de salvação, como aconteceu em 2009, e mudar a história de uma geração. Arrancar dali para uma série de títulos.

Elegância é ter orgulho de ser tricolor.

domingo, 11 de novembro de 2012

Telecomunicações: uma série de enganações

Tivemos problemas, sim, para instalar internet e telefone fixo quando morávamos na Inglaterra, mas, depois de instalados, nunca fizemos qualquer reclamação com a empresa, TalkTalk. Jamais ligamos para nos queixar do serviço, nunca ficamos sem banda, e nossa conexão era incrivelmente rápida. Eles entregavam aquilo que prometiam. O que, sabemos, não acontece no Brasil.

Não sei qual é a justificativa oficial das empresas de telecomunicações brasileiras para o péssimo funcionamento dos seus serviços. Mas não conheço ninguém - ninguém - que esteja satisfeito com o que tem. No caso de celular, por exemplo, é extremamente comum os consumidores irem pulando de empresa em empresa e, após um tempo, ficar sem opção. Na internet, com menos frequência, acontece o mesmo.

Fala-se que o consumidor brasileiro somos extremamente passionais na hora de decidir a nossa compra, mas acredito que isso seja fruto do fato de sermos constantemente aviltados, desonrados, humilhados no nosso direito simples de ser bem atendido. Aqui, nunca o cliente tem a razão.

O consumidor nos sentimos enganado a todo momento. Por que o sinal do meu telefone sempre cai? Porque a empresa derruba. De onde vieram tantas ligações na minha conta de celular? Por que a minha internet normalmente não funciona? Somos trapaceados por empresas que prometem o que não podem na tentativa de angariar mais e mais clientes.

Isso me lembra na época das privatizações, onde se argumentava que era necessário tirar da mão do Estado certas empresas porque o governo não teria a agilidade para se adaptar às então novas tecnologias. Mas as empresas que compraram o nosso sistema de telecomunicações estavam preparadas?

Lembram dele?
O processo de privatização foi e é sempre o mesmo. Sucateiam uma empresa para demonstrar como ela não funcionava, como o Estado é ineficiente e, então, a vendem a ridículos preços. Se quiserem um exemplo fora das telecomunicações, pense na Vale. Se quiser fugir do governo Fernando Henrique, grande responsável pela venda de boa parte do patrimônio público, principalmente da parte de telecomunicações com o ministro Sérgio Motta, pense no que está sendo feito, agora, com os aeroportos e a Infraero.

O processo é o mesmo. Deixa-se uma empresa pública sem investimento, para ela ir amargando, afinando, e depois a possibilidade de venda surge como a única capaz de resolver o problema. Curiosamente, o processo também começou com Petrobras, mas o apelo popular foi maior e agora ninguém mais diz que a companhia de petróleo é ineficiente ou não é grande o suficiente para competir no mercado internacional. Ninguém mais a chama de Petrossauro.

Mas é nos serviços, no tratamento diretamente com o cliente final é que vemos como essas empresas privadas não sabem lidar com o público. Já comentei [não lembro onde] que o fato de os transportes públicos em Londres serem públicos, estatais, controlados pela prefeitura é, na minha opinião, o principal motivo para que o serviço funcione. O passageiro não é tratado como um cliente, como é visto pelas empresas concessionárias cariocas, por exemplo, onde há cotas para gratuidades, e para quantidade de pessoas que eles devem pegar a cada rodada. Ele é visto exatamente como ele é: como passageiro, o cara que tem que pegar o ônibus para ir de um lugar a outro. Há uma organização maior, que ultrapassa as barreiras das competições entre empresas. Pensa-se o todo, não em separado.

E, claro, as empresas de telecomunicação também tratam os consumidores como lixo. Onde você olhar vai encontrar informações que essas companhias são as campeãs de reclamações. Porque sem o controle do Estado sobre essas atividades, as empresas vão continuar mentindo, agindo de má-fé, praticando as piores ações, enganando os consumidores. O governo FH até criou a Anatel, mas a única vez que ela praticou algo que fosse de relevância nacional foi neste ano, quando impediu que as empresas de celular vendessem chips.

Em vez de comemorarmos o aumento do número de celulares no Brasil, mais que um por pessoa, proporcionalmente, deveríamos pensar que quantidade não é nada sem qualidade.

ps. Esse post teve patrocínio do vizinho e sua simpática internet aberta.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

A mentira de Paes

Nesse fim de semana, se confirmou uma verdade que era escondida há anos: o IPTU do carioca vai mudar. Uma grande parte dos que não pagavam o imposto vai pagar. E quem paga vai ter a sua tabela ajustada, com aumentos de até 30%, já que os valores correspondentes estão, de acordo com a própria prefeitura, defasados.

Houve reclamações de uns e outros, exigindo contrapartidas para os seus bairros. Houve gente, como a vereadora Andrea Gouvêa Vieira, afirmando que o imposto não condizia realmente com a realidade da cidade, onde uma grande parte da população não pagava o imposto. Em vez de aumentar o imposto de quem já paga, diz ela, deveríamos "ampliar a base dos contribuintes", como aliás, também foi feito. É o jogo jogado, ela estava defendendo os interesses dos seus eleitores diretamente, aqueles que já pagam o imposto. E houve gente que tocou, muito de leve, em um ponto que, para mim, deveria ser o principal: a mentira do prefeito reeleito Eduardo Paes.

Em campanha, no dia 8 de agosto, após um estudo do Ipea mostrando essa defasagem, o prefeito afirmou que não aumentaria o imposto:
Vou manter o sistema tributário vigente. O IPTU vai ficar exatamente do jeito que está. Se puder fazer alguma coisa para abaixar o IPTU, eu faço. Acho que o que a gente arrecada é o suficiente para manter a cidade. A prefeitura está muito bem nas suas condições financeiras. Não tem a menor necessidade de aumentar impostos. Então, não aumento imposto de jeito nenhum, muito menos IPTU, que vai direto na conta das pessoas.
Em 14 de setembro, ele reafirmou isso em uma sabatina do jornal "O Globo":

Você pode ter ajustes a fazer. O que eu me comprometo é a não aumentar o IPTU. 

[Estas e outras declarações do Paes, além de diversas críticas a essa mudança de postura estão nesta reportagem d'"O Globo" aqui, justiça seja feita.]

A vereadora do PSDB também resvalou no ponto da mentira, ao intitular o seu artigo de "Por que só agora, prefeito?". Pode ser interpretado como "por que só agora você nos conta que vai aumentar o imposto?", mas também "por que só agora você aumenta o imposto?", já que ele teve quatro anos de governo para fazer isso. A estratégia da prefeitura é ainda melhor: anunciar essa mudança do imposto agora e só aumentar realmente em 2014, quando o barulho sobre essa  modificação já estiver bem menor. Ou seja, no ano que vem, a vereadora vai poder fazer um "Por que só agora, prefeito?2".

Mas esse não é o meu ponto. O meu ponto é a mentira.

Não sei se o imposto deveria ser aumentado, ou não. Se as tabelas dos imóveis estão defasadas. Se havia muita gente que não pagava o imposto e que poderia pagar. Se é uma questão de "justiça fiscal". Não sei se deveria haver alguma contrapartida para os afetados pelo aumento ou pela cobrança. Não sei nem quando o prefeito deveria fazer essa mudança, quiçá, se deveria realmente ter criado esse espaço entre o anúncio e a cobrança de fato. Não sei nada disso. Só sei que ele não deveria ter mentido, não deveria ter falado que iria fazer algo que não poderia cumprir.

Para sermos ainda mais justos, temos que lembrar que ele avisou na própria sabatina que "a ideia não é aumentar tributos no Rio", mas que poderia "ter revisão na planta de valores". Ou seja, ele falou em atualizar o valor que a prefeitura estima que os imóveis valem, porque o chamado valor venal estaria desatualizado, há anos sem subir. E lembremos que vivemos um momento de aquecimento do mercado imobiliário carioca. O IPTU, lembremos, é uma porcentagem desse preço estimado. Logo, na prática, o imposto aumenta, mesmo que não seja a "intenção" dele.

Ele também havia adiantado que queria trazer "pessoas para a legalidade", ou seja, em letras fiscais, colocar mais gente para pagar imposto - e se você considerar que pagar alguma coisa é maior que pagar nada, também pode ser considerado "aumento de imposto".

Ou seja, ele já sabia desde sempre que iria aumentar - ou "mudar", para usar uma expressão mais cara a ele, e que apenas mascara a verdade. Ele sabia. E não quis avisar para não desagradar boa parte da população que seria afetada diretamente por essa "mudança". Gente que vai ter que pagar mais impostos e que, se tivesse essa informação na época da eleição, poderia reavaliar o seu voto no prefeito, de posse da verdade. Qualquer outra versão para o fato é malabarismo verbal, que merece uma das bolsas de estudo da Madame Natasha para estudos de português.

Não podemos achar que é normal que um político minta para o seu eleitor. E nesse caso, mentir ou omitir têm efeitos iguais: o aumento de um imposto que afetará boa parte da população, que não sabia que isso iria acontecer. Porque quando um político mente na sua campanha, ele perde o único bem que ele deveria cultivar com a mais alta reverência: a credibilidade. Não podemos confiar num político assim.